um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #09
Se me dizem que hoje é dia de festa, há que reconhecer e pensar em folia. E se há folia, para mim, tem que haver música. E, neste formato de festa e folia, reconheço o efeito humorístico da música underground.
Assim, hoje sou eu que convido e que dou duas prendas. Dois exemplos de músicos que, apesar, de não serem os vocalistas exibem, na sua prestação, a vontade de serem o centro e os líderes das bandas. Dois vídeos que me são, absolutamente, muito queridos e dos mais favoritos dos favoritos que guardo no YouTube. Obrigatórios.
[ Vídeo: o teclista em formato sou-o-maior-da-minha-rua... ]
[ Vídeo: o baterista que almejava nunca passar despercebido...]
epifanias instantâneas.
Descobre-se, assim, num amanhã arrancado ao passado, que a garganta ficou seca de todos os nós que por lá lhe passaram.
Revê-se um homem naquela autoritária voz envergonhada. A mesma que, num queixume, simultaneamente pede e avisa. A voz, num final de noite, com que adolescentes avisam os seus pais.
Páro, para me escutar e te olhar, na frase que calei.
Aquela que arriscava soar a: “ainda é muito cedo para me levares”.
definições de bolso.
Ouvires o cão da tua rua que — longe, bem longe — ladra quando me sente passar é, para mim, uma definição da distância do amor. Um amor que, também, te apetece ouvir.
os segredos divinos do rock em portugal.*
[ este artigo foi publicado — com erros de paginação alheios ao seu autor — na 1ª edição do jornal contrabando. o título original era: a nova música portuguesa. ou, cristo tinha cabelos compridos por gostar de grunge? ]
Há já muito tempo que o mercado da música popular portuguesa se encontrava fechado em si mesmo. O retrato da música nacional era polarizado e a imagem deste alternava apenas entre dois estados: uma espécie de promiscuidade criativa; ou políticas castradoras de talento. Ou seja: ou existia o monopólio dos mesmos músicos, mesmas produtoras e os mesmos protagonistas em curto-circuito; ou aparições tímidas, aqui e ali, afastadas de um grande público de consumo e impossibilitadas de se demarcarem de um primeiro EP caseiro. A referência e tendência para o nosso mercado local — diziam-nos os especialistas — era o modelo discográfico das fracas vendas a que lá fora assistíamos. A isto juntavam, e insistiam, um só nome para o grande culpado. Pirataria. A mesma que, ainda hoje, é sinónimo da dificuldade em se venderem discos. Sinónimo, claro, nas mentes que só vêm a redução das vendas onde a maioria espreita um aumento de procura e consumo da música.
Ora, com tudo isto, toda uma geração musical de adeptos de um pop-rock português pautado por inovação — e cujo sinal dos últimos fragmentos residia no final inesperado dos Ornatos Violeta —, sofria e ansiava por novo alimento musical. Os teimosos, ainda da explosão dos anos 80, que mantinham a sua produção musical ou, por exemplo, os inventivos Clã já não bastavam. Era urgente maior produção nacional de música.
O deserto musical desaparece quando, recentemente, qualquer coisa de refrescante ocorre. A música portuguesa volta a ocupar a sua posição dinamizadora com a entrada em cena de algumas bandas que se tornaram um fenómeno. Assuma-se a qualidade criativa e ambiente sonoro que, sustentadamente, Linda Martini, peixe:avião, Mundo Cão, doismileoito, etc, reúnem. Mas, assuma-se maior surpresa quando, subitamente, confrontamo-nos com um culto desenhado à volta de Tiago Guillul, Os Pontos Negros, Samuel Úria, Os Golpes, Diabo na Cruz e tantos outros. Num curto espaço de tempo aparecem uns desconhecidos que nos parecem de origem clandestina. E, damos por nós a pensar: mas, como é que a estes tipos a pirataria não destruíu o crescimento? E, enquanto o pensamos, os ditos especialistas ainda se interrogam quem são eles.
O denominador comum destes diferentes nomes — que nos aparecem seja nas colectâneas ou festivais de verão, passando pela rádio — traduz-se em: evangelização, associativismo religioso, clubismo, crença num mesmo Deus — caramba!, tanta adjectivação para algo tão simplesmente traduzido no português corrente como fé. Mas sempre existiu?, pergunta o leitor mais interrogativo. Decerto que sim. A novidade está na sua união, através da editora Flor Caveira ou promotora Amor Fúria, que os transporta para o mercado onde todos os outros, hereges, se encontram. “Os Pontos Negros” não estarão muito longe da qualidade dos antigos “A Instituição” (banda dos anos 90 de Tiago “Guillul” Cavaco) mas a sua promoção e suporte é hoje diferente daquela que, anteriormente, estava limitada a uma pequena comunidade baptista. É colectiva. Assente. Sólida. E, pelo que se vê, tudo isto funciona. Isto porque não acredito que eles sejam abençoados por Cristo — apesar de, segundo a História, Cristo ter tido cabelo comprido e só por isso podermos afirmar ter sido um apaixonado por boa música. O segredo é menos divino e, como dizia o outro, está na massa. Nos ingredientes mais básicos.
Em última análise, e a provocação é atirada para fora da compreensão dos analistas de mercado, o que move estas novas bandas de rock é desconcertante na filosofia comercial da indústria da música. É imperceptível ao radar de negócios. Na realidade o que os move(u), fundamentalmente, é uma necessidade de levar a mensagem. Fazem-no afastados dos números e da imposição de vendas. E o desígnio, a emergência de cumprir os sonhos, é imbatível. Ironia das ironias, um dos veículos para se vender música popular portuguesa é precisamente o meio anti-comercial. Ainda, deste modo colectivo, conseguiram ocupar uma posição e ganhar um mercado mais robusto para a sua equipa (o seu catálogo de músicos) do que teriam conseguido para um nome isolado.
Generalizando, reparo que depois de tantos anos regressamos a este que foi, outrora, o grau zero das indústrias discográficas. E na volta, talvez interesse retornar aos primeiros conceitos para deles reerguer a indústria. Porque é possível vender discos num mercado que afirmavam estar saturado pela pirataria do mp3? É possível conquistar pequenos e grandes palcos alheados de um marketing peganhento? Sim, aparentemente, é possível recrutar, ainda, entusiastas para a nossa cultura musical.
É uma lição para promotoras e editoras. E para os analistas. E se não o é, devia.
e, por vezes, uma besta completa.
Não sou todos, nem nenhum. Humano. Envolvido em ti, como me envolvi na sociedade moderna. Para, e constato-o! ao contrário de John Donne, ser meio-homem, meio-ilha.
as cantigas inquietas são uma arma para os “três cantos”.
E quase 3 meses depois da notícia e dos bilhetes postos à venda — bem como depois dos, já lá vão duas exibições, concertos no Campo Pequeno —, é com toda a esperança, e certeza interior, que vos digo que este será um espectáculo: no mínimo, notável; e, no máximo, do caraças.
Não tenho como negar que estou, profundamente, ansioso e entusiasmado por este concerto. Aliás, concerto para o qual estou, desde ontem, em preparação absoluta. Mais do que um espectáculo pop, ou de um reencontro que morre no próprio genialismo individual sem deixar que se evidencie uma partilha e uma identidade colectiva, espero assistir à escrita de uma das principais páginas das suas carreiras individuais bem como da história da música portuguesa. Não quero uma página relida, ou reescrita com nostalgia, mas, sim!, escrita neste momento.
No Porto, amanhã e no Domingo (data extra ainda com bilhetes à venda), os 3 grandes, e notáveis, vivos da história da música portuguesa — no activo desde 1970, e com constantes reinvenções — sobem ao palco do Coliseu do Porto. São “Três Cantos – Enfim Juntos”: José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias.
Recomendo fortemente que, aqueles que ainda estão indecisos, não percam tamanho concerto. Posteriormente, sairá em edição especial, o concerto, documentário e um livro. Tudo para guardar, em suporte físico, este que — já se afirmou deste modo na sua concepção — é um projecto ímpar.
o fim de uma era ou o meu regresso como cliente.
Dia bonito o de amanhã.
É que José Manuel Fernandes ocupa hoje, pela última vez, as funções de director editorial do Público.
Por vezes, a verdade é esta mesmo: a vida sorri-nos.
instantâneas. #00
Queimei o negativo do instante em que me focaste e te disparaste de diafragma aberto.
Era o meu passatempo mais desfocado antes de me ter decidido a revelá-lo.
e, já agora, que me aspirem a casa e me limpem o rabo.
No Restaurante, e na mesa ao lado:
Ela: Acho uma piada à Direcção Geral de Saúde.
Ele: Por causa das mensagens para o telemóvel?
Ela: Não. Com isto. De lavar as mãos, sabes?
Ele: Sim?
Ela: Querem que lavemos as mãos, com um gel e o caraças. Que lavem os gajos os sítios onde nós temos que pôr as mãos. Isso é que fazia sentido. Não é?
Ele: Mas…?! Sim, é verdade.
um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #08*
* ou: há uma igreja do tamanho de todo o fanatismo religioso do ateísmo.
[ Vídeo: Igreja Ateísta no Domingo de Manhã ]
a solidão dói, corrói e choca. pior que a morte.
«Um emigrante português morreu, há dois anos, em sua casa, nos arredores de Paris. Mas só na passada segunda-feira foi encontrado.», via Público
sobre o equilíbrio universal e os trocadilhos ordinários.
Parado na tabacaria, e olhando as capas das revistas enquanto espero que a dona da tabacaria encontre o maço de Tabaqueira perdido na prateleira, escapa-me a frase. Sai-me, a respeito da capa da revista Playboy de Outubro, sem pensar duas vezes e com um sorriso adolescente e hormonal. Disse: “mas, esta Cristina não será Areia a mais para a maioria das camionetas?”.
A mulher da tabacaria-quiosque junto ao Marquês de Pombal olha, para mim, com ar de desentendida e levemente incomodada. O motivo do incómodo deve residir, penso eu, em ter fugido à conversa estruturada que prefere manter com os seus clientes. E eu lembrei-me que não estava no Porto.
Ora, assim, se perdeu um trocadilho previsível mas, como tantos outros, fundamental para a saúde e equilíbrio universais.
rock, música independente, boa, portuguesa e deus. ou: isto anda tudo ligado?
Nem de propósito.
Escrevi e entreguei no início do mês um artigo, também, sobre a FlorCaveira e a nova música portuguesa. Este artigo será, a seu tempo, publicado numa nova revista ibérica que está na calha e que chegará, gratuitamente, à mão de alguma da população da Península Ibérica. E, nessa altura, aqui publicado na íntegra.
Mas, como dizia, e voltando ao tema deste rápido post: nem de propósito. No 30 minutos de ontem, na RTP, Tiago “Guillul” Cavaco foi — apesar de com algumas imprecisões à mistura —, exposto. Recomendo, ao leitor mais interessado nesta temática da nova música independente portuguesa, que veja aqui (13-10-2009, aos 18′30”) esse programa.
Já agora, e como tenho afirmado por todo o lado aos estimados amigos que confiam nas minhas sugestões musicais, é urgente ouvir-se o último álbum de originais de Tiago Guillul — é, provavelmente, em Portugal, uma das obras mais apaixonantes e criativas na linha pós-Variações. O álbum chama-se “IV” e está à venda na FNAC ou no site da editora.
e é, também, por isto que eu, cláudio, gosto do blogue de jorge fiel.
«É por isso que eu, portuense, fico triste por ter um presidente da Câmara que nunca pôs os pés no Dragão, só foi uma vez a Serralves (e porque o Fernando Lanhas o foi buscar aos Paços do Concelho e o obrigou a visitar a exposição dele) e não frequenta a Casa da Música – apesar de morar ali ao lado, a menos de cinco minutos a pé. O Porto merece melhor.», Jorge Fiel em A Bússola
Para mim, um dos melhores blogues do Norte: A Bússola, onde participa o jornalista Jorge Fiel. É, na minha opinião, um dos melhores escritores de crónicas que conheci nos últimos anos. E como do Porto é, sabe sobre o Porto escrever tão bem — numa visão objectiva da gestão autárquica desta cidade como, facilmente, resumiu no artigo do excerto que aqui publico.
«quem me leva os meus fantasmas?»
Na ressaca de (mais) uma vitória de Rui Rio, com maioria absoluta, para a Câmara Municipal do Porto preparo-me para os próximos 4 anos onde, sei de antemão, a cidade continuará a ser retalhada. E os exemplos somam-se.
Por exemplo, sobre a venda do Teatro Sá da Bandeira, e não só, Catarina Martins (deputada do Bloco de Esquerda pelo círculo do Porto) escreve um artigo que vale a pena ler aqui.
«Uma coisa parece certa; uma cidade que perde os equipamentos culturais, que despreza os seus criadores e esconde a sua identidade, por muitos hotéis que construa, nunca atrairá ninguém. O caminho que tem sido trilhado, esta planeada degradação do património em nome de um brilhante futuro de negócios privados, constrói a cada dia uma cidade deserta. De quantos hotéis precisa uma cidade fantasma?», Catarina Martins
eu, eu é que gosto de votar para o presidente da junta.
E vocês, vocês já votaram hoje, também, para o Presidente da Junta?
[ Vídeo: "Eu é que o presidente da Junta", por Hérman Enciclopédia ]
pode o teatro virar apocalipse? ou estaremos perante o génesis da encenação?
O Teatro da Palmilha Dentada volta aos teatros e à cena com uma nova peça: “Norma“. Depois da incursão no espectáculo musical “A Cidade dos que partem“ — e de uma produção tão arrojada quanto eficaz que ocupou o Teatro Carlos Alberto —, regressam à (já habitual) Sala-Estúdio Latino do Teatro Sá da Bandeira do Porto. Posteriormente, em Dezembro, ocuparão com esta peça a Casa da Comédia, em Lisboa.

Cartaz de Promoção da peça "Norma", do Teatro da Palmilha Dentada
Os nomes envolvidos são os, igualmente, do costume. Ivo Bastos e Rodrigo Santos interpretam os textos cuja escrita vem, na sua base, de Ricardo Alves e Salgueirinho Maia. A temática é religiosa. E promete. Sem a ter visto, e conhecendo a maioria do trabalho da Palmilha Dentada desde há muitos anos, levam já daqui a minha recomendação.
No Porto estará: de todas as Quartas a Domingos, entre o dia 8 de Outubro a 15 de Novembro. Em Lisboa, por sua vez de Quintas a Sábados, entre os dias 3 a 13 de Dezembro. As reservas de bilhetes deverão ser feitas através do 91 5000 464. E o horário é, como habitualmente, pelas 21h46min..
Ah!, é nestas coisas sempre tão docemente iguais que encontramos os pilares que reforçam a sensação de nos sentirmos em casa.
elisa ferreira: algumas leituras.
Relativamente às eleições autárquicas para a Câmara Municipal do Porto, e depois de 2 debates, reconheço que Elisa Ferreira não é, decididamente, uma figura que esteja confortável em debates televisivos e, muito menos, que mantenha a postura perante o cinismo corrosivo de Rui Rui.
No entanto, ontem, no debate de 2 horas no Porto Canal, Elisa apresentou-se mais sólida e segura do que na anterior prestação. Neste debate, a independente candidata pelo Partido Socialista, aproveitou para partilhar aquela que acredito ser a visão moderna que Elisa tem para um Porto que se apresenta envelhecido. Uma visão entusiasta (e entusiasmante) que, aliás, Rui Sá apresenta de uma forma mais reservada mas, igualmente, capaz.
E é a este respeito que recomendo, seriamente, a leitura de duas (recentes) entrevistas a Elisa Ferreira onde esta expõe aquela que é a imagem do Porto com a qual mais me identifico. Cito dois pequenos excertos:
«Vejo o Porto como uma cidade que tem obrigação de ser a capital do Noroeste peninsular. Uma cidade que faz um contraponto útil ao país, em termos da centralidade excessiva de que ele sofre. O problema principal do Porto não é a pintura das casas ou a mobilidade: é a perda da dinâmica económica. A minha primeira prioridade é criar emprego no Porto, voltar a atrair empresas, trazer riqueza para a cidade. E vejo a cultura e a ciência como elementos fundamentais da cidadania e não como fontes de despesa. Vejo-as como um investimento na qualificação dos cidadãos que permite que estes sejam actores mais informados e mais lúcidos, quer em termos do exercício da democracia quer em termos do seu papel na gestão da sociedade.», no Público
«O Porto não pode entrar numa competição com os municípios vizinhos, tem é de promover uma articulação de estratégias e recuperar a ideia de que o Porto tinha a excelência. Antes era como um ovo estrelado, que tinha uma gema riquíssima que difundia para a envolvente, enquanto hoje parece um ‘donut’. As pessoas foram escorraçadas e a dinâmica cultural foi tratada com o epíteto de “estes são os subsidiodependentes”, no Diário de Notícias
Para o leitor com mais tempo recomendo a visualização de dois testemunhos pessoais e apoiantes a Elisa Ferreira. São, entre muitos, respectivamente, Pedro Abrunhosa e Rui Veloso.
«eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim.»*
«Um estudante turco atirou esta manhã uma sapatilha contra Dominique Strauss-Kahn, director-geral do FMI, sem o atingir. O incidente muito semelhante ao que em Dezembro do ano passado visou o então Presidente americano, George W. Bush, durante uma visita a Bagdad.», via Público
* ou quando a moda do calçado atinge, literalmente, a política.
e prometeu fazer mais propaganda política neste último mês?*
«O director do PÚBLICO, José Manuel Fernandes, anunciou hoje à redacção do diário a sua saída do cargo no próximo dia 31 de Outubro, lugar onde vai ser substituído por Bárbara Reis.», via Público
* ou as boas novas e um possível regresso meu ao Público como leitor-comprador.
a elisa que não queria ter visto ou o debate que devia ter perdido.
«Elisa não vai, voltou a repeti-lo ontem à noite, dizendo: “Eu não quero ser vereadora, quero ser presidente de câmara”. A candidata tem acusado Rui Rio de fugir a um frente-a-frente e voltou a repeti-lo no debate, hostilizando os restantes candidatos ao dizer que o que era verdadeiramente importante era que os eleitores percebessem a sua posição e a de Rui Rio, porque apenas eles tinham possibilidade de ser eleitos presidentes de câmara. Elisa esteve irritadiça e quase zangada – colocando mesmo o moderador da SIC, Pedro Couto, pouco à vontade em alguns momentos – e deixou-se por vezes apanhar em falso, como na ocasião em que afirmou que a Câmara do Porto tinha perdido todos os processos judiciais no caso dos terrenos do Parque da Cidade, em que acabou por ser corrigida pelo actual presidente», via Público
as reacções das mulheres vistas à transparência.
Com esta moda das roupas transparentes — agravada pelos tradicionais decotes — acabo por passar por situações telepáticas. É que, tanto eu como as mulheres-munidas-de-roupas-transparentes e observadas acabámos, invariavelmente, a pensar exactamente a mesmíssima coisa. Um “estou-te a ver” mentalmente partilhado, mas pronunciado com diferentes entoações.
um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #07
Porque a nossa Comissão Nacional de Eleições não foi feliz na campanha de marketing “Escolhe Votar” prefiro, e tal parece-me apropriado, recorrer a este vídeo — da campanha “Get Out and Vote” que, provavelmente, a maioria recordará como uma das melhores campanhas para esse efeito, decorrida do lado de lá do Atlântico, e que o Arrastão me fez relembrar.
Sim, claro, isto a respeito das Eleições Legistalativas que decorrem hoje. Se ainda não o fizeram, façam o favor de não ser armarem em parolos e de colocarem esse esqueleto, o mais rápido possível, na vossa mesa de voto.
[ Vídeo: "Get Out and Vote" ]
como as mulheres sabem, mesmo, (re)definir os conceitos mais simples, de uma só assentada.
No autocarro, nos bancos à minha frente, duas mulheres desabafam uma com a outra:
A estável: Porque, tu sabes, eu sou estável e bastante calma.
A amiga: Sim, eu sei.
A estável: Sei ser amiga das minhas amigas. Como tu.
A amiga: Isso é verdade.
A estável: A Ana não. Como, por exemplo, naquela vez em que me zanguei com o meu marido e saí de casa. Aí tu deixaste-me dormir em tua casa e…
A amiga: Falas de… Quando? Qual das vezes? No Verão?
A estável: Não. Ano passado.
um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #06
Este é um vídeo para o amante da estrada. Ou o apreciador de fotografia. Para quem gosta de um bom trabalho criativo. Em suma — e para não me estender por aí, naqueles trocadilhos parvos que me assombram a mente — este é um vídeo para gente de bom gosto.
Este é um vídeo que retrata, em fotografia, uma viagem entre Lisboa e Porto. As fotografias foram disparadas com intervalos de 5 segundos e a técnica utilizada consiste em time-lapse photography. Sobrou, assim, de 3 horas de viagem e de 323 km percorridos, um vídeo com pouco mais de 2 minutos.
[ Vídeo: "Uma viagem de Lisboa a Porto", por Marcel Schmitz ]
e o leitor aí ao fundo calado: pensa votar em quem?
Estamos, praticamente, a chegar às Eleições Legislativas — já no próximo dia 27 de Setembro de 2009. Sim, possuo a certeza que todos vocês, os leitores deste blogue, irão votar. Mas, e motivado pela habitual torrente de sondagens, sobra-me a curiosidade de descobrir por onde se repartem politicamente os habituais visitantes. Assim, com a maior margem de erro que este Portugal já viu, aqui fica: a minha humilde sondagem.
Votem, à vontade. Não guardo o IP de ninguém e, sim, é apenas estatístico tal como, absolutamente, secreto. Quem pretender partilhar o seu manifesto de voto, utilize a caixa de comentários.
Obrigado.
quando foi que decidimos confundir a frieza do betão com antipatia urbana?
Disparo, velozmente, um sincero “boa tarde” à senhora desconhecida do elevador. Faço-o, (ir)reflectidamente, numa mistura de protocolo social experimentado das vendas, com bons hábitos e sentimentos altruístas. Quando saio no piso 3 — o piso que é meu só de nome — ouço a criança perguntar à Mãe: «Quem é o senhor?».
é como pedir “com licença!” quando se rasga um papel.
Encontrar dois amantes envergonhados, enfiados num café central de uma cidade pequena como o Porto, a tentarem manter clandestina a existência das suas perturbações sentimentais. Ou ter um Presidente da República calado, à sombra do argumento de não desejar interferir na campanha eleitoral, escondendo aquele que poderá ser um dos principais motivos para fazer dele (de longe) o pior PR da história da democracia portuguesa.
É.
Desajustado, inútil e — em última análise — absurdo.
quem cala, consente. e este que despede, certamente, mente.
«O Presidente da República afastou Fernando Lima do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação Social, que passará a ser desempenhado por José Carlos Vieira.», via Público
