as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

a qualquer-coisa-comédia que resulta.

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Woody Allen estava, há tempo demais, sem fazer uma boa comédia como esta. “Whatever Works“. Quando escolhi vê-lo, no pequeno ecrã de 13 polegadas do meu portátil, parecia-me que este filme nunca chegaria a estrear cá. Mas — é certo que com um grande atraso — cá está. Em Portugal, a somar ao atraso na estreia do filme, o poster escolhido para divulgação do filme foi outro. Engana. Adapta o título original do filme, e imagem do poster original, para o aproximar à imagem das comédias românticas. E, por mim, se isso ajudar à divulgação, nada contra.

Poster original do filme: "Whatever Works"

Poster original do filme: "Whatever Works"

A experiência, no cinema, é outra e a sensação de que Boris (Larry David) interage com o espectador é, neste caso, efectiva. Este filme não tem Woody Allen. Ou, de outra forma, tem um Allen mais cínico, mais desagradável, mais cáustico, mais expressivo na voz e religiosamente, de todo, mais violento e sarcástico. Um Woody Allen menos neurótico, menos nervoso, menos expressivo nos gestos e bem menos atabalhoado. Tem, portanto, Larry David. O mesmo Larry David que, ao representar-se a si mesmo, na sua série “Curb Your Enthusiasm”, nos deixa, constantemente, desconfortáveis e com a sensação mas-isso-só-pode-correr-mal. Porém, em “Whatever Works”, Larry David é um Boris que, ao longo do filme, acaba por conquistar o espectador. Com ternura, até. E, para mim, ver a representação deste papel entregue a Larry David foi uma boa surpresa.

O argumento transpira Woody Allen? Decerto que sim. Mas, e como nem sempre aconteceu na última década nas comédias de Allen, resulta. E resulta muito bem. A matéria prima para que resulte reside, primeiro, no argumento.

Depois: Woody Allen, é um facto, filma Nova Iorque de uma forma que até o mais profundo terrorista anti-ocidental se consegue apaixonar por essa cidade. A cor é outra; as pessoas parecem mais reais. Se a imagem a Technicolor tivesse de ter uma definição visual, eu teria de apontar um pedaço de uma fita de Allen. A imagem, a banda sonora, o ritmo com que as cenas se sucedem e o enquadramento com que os monólogos versus diálogos são fimados dizem muito ao caso. Este é o segundo pilar que contribui para que o filme funcione: a realização.

Este é um filme coerente com a sua obra e, ao mesmo tempo, um filme que é novo na sua forma, conteúdo. Já o disse: resulta bem. E, apesar de toda a reflexão existencial — que é comum aos seus principais filmes —, a verdade é que (contrariamente ao que nos é avisado) este é o filme que dispõe bem. Para já, e para mim, do ano.

[ Trailer: "Whatever Works", um filme realizado e escrito por Woody Allen ]

Escrito por Cláudio Vieira Alves

07/02/2010 em 16:42

é o progresso informativo, meu caro.

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O cidadão desinformado e baralhado questiona: mas, afinal, ainda temos governo? E a quanto é que ficaram as vacinas da Gripe A contra o Mário Crespo? 5 a 2?

O nosso país — influência da gastronomia, possivelmente — é uma salgalhada. Gosto. Principalmente da gastronomia.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

04/02/2010 em 23:33

manifesto laboral.

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Troco horas extraordinárias por dias (in)úteis.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

02/02/2010 em 00:35

um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #18

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Os tempos de desemprego são díficeis, mas os tempos de mal-empregado são, por tradição, igualmente complicados. Aliás, as estatísticas apontam, desde 2003, que 85% das pessoas profissionalmente activas dizem mal do trabalho que têm e que, todas estas pessoas, desejavam mudar de funções. Alguns especialistas da área dos recursos humanos indicam que, durante toda a vida, devemos mudar de emprego, pelo menos, umas 5 vezes. Eu já ultrapassei esta quota, mas ainda assim questiono-me, neste enquadramento e perante estes dois factores: qual será a altura adequada para mudar de emprego e quais os motivos que deverão levar um indivíduo a fazê-lo?

Sejamos honestos: com flexisegurança — ou com o que quer que seja — a realidade é que (ainda) não trocamos de empregos como trocamos de meias, e é difícil descobrir quando, e se, o devemos fazer. Qual é afinal a regra?

A internet ajuda na procura desta resposta. Este vídeo, como regra, é um dos muitos contributos.

[ Vídeo: "CareerBuilder.com", anúncio no Super Bowl 2009 ]

Escrito por Cláudio Vieira Alves

26/01/2010 em 21:03

Publicado em um vídeo por dia

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desenhos animados para o menino e para a menina.

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[ este post foi publicado originalmente no blogue do despertar o sótão com o título "cinanima: o conteúdo do segundo evento."]

O CINANIMA, festival de cinema de animação, é organizado pela NASCENTE (Cooperativa de Acção Cultural C.R.L.) juntamente com a Câmara Municipal de Espinho, desde 1976. Sendo um dos mais conhecidos e reputados festivais a nível internacional, o CINANIMA tem desenvolvido uma importante actividade na divulgação desta forma cinematográfica e seus autores. Além de promover o contacto e formação dos profissionais da área, o festival permite o acesso, do grande público, a uma selecção de curtas e longas-metragens de elevada qualidade e originalidade. A edição de 2009, realizada entre 9 e 15 de Novembro, não foi excepção!

cinanima 09

cinanima 09

A cidade do Porto terá oportunidade de o comprovar, pela mão do despertar o sótão, com a apresentação dos “Premiados do CINANIMA 2009” no Cinema Nun’Álvares. A data e o conteúdo serão revelados nos próximos dias.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

26/01/2010 em 08:17

amor for dummies.

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O amor é coisa simples. Nós é que somos demasiado complicados para o amor. Fim.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

25/01/2010 em 22:46

casamentos alheios podem ser comédia da boa.

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(Num café cheio, à hora de almoço, um casal troca entre si as novidades.)

Ela: É verdade: a nossa filha tirou uma boa nota naquela cadeira. Aquela. A das doenças infecciosas.

Ele: Já saiu a nota? A sério?

Ela: Sim, sim… Aliás, ela está radiante porque tirou a melhor nota do curso.

Ele: Ena! Boa aluna. Sai ao Pai.

Ela: Sai, sai. Tu também sempre foste muito bom nas doenças infecciosas e venéreas… Principalmente em apanhá-las e depois a passar-me.

(longo silêncio)

Ele: Vais beber café?

Escrito por Cláudio Vieira Alves

25/01/2010 em 19:06

um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #17

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Em plenas vésperas do evento Apple onde, tudo indica, será apresentado um novo dispositivo electrónico — que tal como o iPod/iPhone o fez na anterior década, pretende marcar esta próxima — observo e recordo a campanha “Get a Mac“.

Marketing humorístico, que remonta o seu início a 2006, esta é uma campanha onde, com muitos toques de minimalismo, são exibidos dois intervenientes: um PC e um Mac (respectivamente: John HodgmanJustin Long). É exibida nas televisões de diversos países, mas o seu sucesso na web é internacional.

Entre os diferentes spots publicitários exibem, essencialmente através dos diálogos entre a máquina-PC e a máquina-Mac, as diferenças de hardware e software entre ambos. Nem sempre as diferenças são apontadas como defeitos, sendo apenas estereotipado o tipo de utilização que cada uma destas máquinas serve e, posteriormente, desconstruídos os mesmos estereótipos —  valorizando obviamente a Apple. Os vídeos que brincam com o sistema operativo Windows Vista como, por exemplo, a versão longa do anúncio “Sad Song” são, para mim, os mais universais. E universais porque a realidade é: ninguém gosta do Vista.

Publicidade boa, anúncios ritmados e a tónica, assumidamente, no engraçado são os argumentos que explicam que esta campanha de marketing dure há 4 anos e tenho sido já premiada. Para recordar a campanha todos os vídeos foram compilados e listados no site AdFreak.

[ Vídeo: "Broken Promises", da campanha "Get a Mac" ]

Escrito por Cláudio Vieira Alves

24/01/2010 em 05:00

hoje: três cantos na rtp1.

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Hoje (sábado, 23.01.2010), pelas 22h51min., o espectáculo “Três Cantos” (anteriormente referido aqui e ali), será transmitido pela RTP1. Depois do concerto, ainda, o making-of — à imagem do que ocorre no DVD publicado e que já se encontra, desde 23 de Dezembro, esgotado e sem previsão de reedição.

"Três Cantos", fotografia de Rita Carmo.

"Três Cantos", fotografia de Rita Carmo.

Eu, a sugerir um serão de sábado à frente da TV, para variar. É porque só pode ser coisa boa.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

23/01/2010 em 17:48

estado de negação de um ponto sem retorno.

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Não há flores que cheguem para sepultar o tempo que já queimei.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

23/01/2010 em 15:21

quando o telephone pecca.*

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«Manuel Alegre telefonou a Sócrates dizendo-lhe que ia anunciar a candidatura, mas a divisão no PS está instalada. Lello já declarou que não apoiará Alegre – enquanto Vitalino Canas, Correia de Campos, Vítor Ramalho e Vítor Baptista, entre outros, aconselham o partido a apresentar outro candidato, avança a edição do SOL desta sexta-feira.», via Sol

* música muito boa dos GNR.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

22/01/2010 em 18:16

um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #16

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O YouTube — a verdadeira TV do povo — está pejado de vídeos humorísticos. Anúncios, sketchs, imagens da vida real, histórias que não eram para ser humor mas que, bem vistas as coisas, o são. E isto só para enumerar alguns exemplos. Enfim, são muitos pequenos-segundos de frames animados cuja visualização, num ou noutro caso, acaba por viciar e ao longo de dias — semanas, até! — repetimos. Fazemo-lo, repetindo uma e outra vez, por motivos nem sempre relacionados com a qualidade do conteúdo, mas porque ficamos (estranhamente) viciados.

Esta pequena adaptação de um velho refrão de Eric Carmen — e que  Céline Dion tanto cantou — é, para mim, um desses casos. 18 segundos valiosos por dois motivos: torna uma música famosa pelo refrão num simpático pedaço de humor; e desconstrói um dos principais refrões da história das baladas pop. Nunca mais será possível ouvir “All By Myself” como se fosse essa a frase chorada no refrão. Estes são 18 segundos que entram directamente na categoria “trocadalho do carilho” em versão 2.0.

[ Vídeo: "Obama's Elf" ]

Escrito por Cláudio Vieira Alves

21/01/2010 em 21:56

e o regresso enfiado na vidraça do comboio.

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Tenho um Porto inteiro a chover-me nos ouvidos.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

20/01/2010 em 00:25

num modo profundamente analógico.

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Dou 45 sensações por minuto.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

16/01/2010 em 19:28

o cinema nun’álvares já despertou.

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[ post publicado, originalmente, no blogue do despertar o sótão e relativo ao Cinema Nun'Álvares — o local do próximo evento. ]

Graças ao portuense Aurélio Paz dos Reis, realizador do primeiro filme em Portugal, a cidade do Porto ganhou o epíteto de “berço do cinema português. “A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança”, réplica do primeiro filme da história do cinema (dos irmãos Lumiére), foi projectado no Teatro do Príncipe Real (mais tarde baptizado de Teatro Sá da Bandeira), corria o ano de 1896. O Jardim da Cordoaria alberga, em 1906, a primeira sala de cinema da cidade, com o pomposo nome de salão “High-Life”…

Mais de um século volvido, e apesar de ainda dispormos da companhia do maior realizador português da história, Manoel Oliveira, o actual panorama cinematográfico não faz jus aos pergaminhos históricos da cidade. A desertificação do Porto, associada a um certo deslumbramento tecno-consumista que foi crescendo na sociedade moderna, ditou o abandono das históricas salas de cinema. Inaugurado em 1949, o Cinema Nun’Álvares (localizado na Rua Guerra Junqueiro), foi o último de uma série de espaços (Pedro Cem, Foco, Charlot, Cinema Batalha, Trindade, Terço, Passos Manuel entre outros) a fechar as portas. A ausência de público e a acumulação de dívidas foram fatais para o Cinema Nun’Álvares, restringindo a escolha de sala de cinema, dos portuenses, a um dos ditos multiplexes da cidade e arredores.

Cinema Nun'Álvares

Cinema Nun'Álvares

Desde esse fatídico mês de Janeiro de 2006, muito foi dito e escrito sobre as já existentes dificuldades económicas da região e a inexistência de uma política cultural coerente, quer a nível local como a nível nacional, de apoio às artes. Mas, eis que a aurora se anuncia, graças a um corajoso grupo de empreendedores que acredita na viabilidade económico-social de algo tão “antiquado” como uma verdadeira: Sala de Cinema. O Cinema Nun’Álvares reabriu, em Dezembro último, com a estreia de “Avatar”, dotado de um dos melhores sistemas de projecção digital a nível nacional. Renasce assim a esperança de uma nova era, na projecção de cinema no Porto, num espaço com: óptima localização (perto da Rotunda da Boavista), boas condições (projecção, climatização e larga lotação) e tratamento afável por parte dos responsáveis.

Só falta a adesão dos portuenses… Ou talvez já nem isso falte!

Escrito por Cláudio Vieira Alves

16/01/2010 em 08:14

a história faz-se com humor. e este é do negro.*

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«Em nota divulgada na sua página na Internet, a Presidência da República adianta que Santana Lopes será agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, que distingue “destacados serviços prestados ao País no exercício das funções dos cargos que exprimam a actividade dos órgãos de soberania ou na Administração Pública, em geral, e na magistratura e diplomacia, em particular”, de acordo com a justificação oficial.», via Público.

* e para o próximo Prémio Pulitzer, já nem me surpreendia, se me viessem falar em Luís Delgado (recorde-se valiosos artigos do mesmo, noutros tempos, aqui).

Escrito por Cláudio Vieira Alves

15/01/2010 em 18:37

pontos de vista há muitos, seu palerma.

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Constato, ao fazer uma comparação lado-a-lado, que o preto com que aqui escrevo sobre o branco é mais preto do que o preto que hoje vesti ao sair de casa. Parece um trava-línguas, mas não o é. Quem escolhe com alguma frequência vestir roupa preta sabe que há diferentes tonalidades de preto.

No capítulo das cores, e nas eternas discussões para descortinar se, por exemplo, é um verde-azulado ou um cinzento-escurecido, perdi anos a fio. Tudo mudou quando me explicaram que todos vemos as cores diferentes e de uma forma directamente relacionada com o formato ocular do indivíduo — foi o argumento que alguém com paciência para me aturar, e em plena entrevista de emprego, me ofereceu para, em acesas trocas de ideias sobre cores, não levar a melhor. Assim, consegui, de uma vez por todas, resumir as discussões proclamando que as cores dependem não do ponto de vista mas da própria vista da pessoa.

Esta é a constatação biológica que confirma que não há nada mais difícil do que vermos através dos olhos dos outros. O filósofo William James dizia que duas pessoas juntas correspondiam, na realidade, a um encontro de seis pessoas: cada um como se vê a si mesmo; cada um como a outra pessoa a vê; e cada indivíduo como realmente é. Ora, anos depois, a ciência permitiu confirmar a sua filosofia.

Nestas coisas de tentar compreender a visão do outro sempre escolhi outra frase — problemática, também, na impossibilidade fisiológica de concretizar tamanha acção —, e que diz respeito a calçar os sapatos alheios. Mas é, para mim, a imortal frase adaptada de Hérman José que melhor resulta: “pontos de vista são como as vaginas: cada mulher tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la”.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

15/01/2010 em 14:43

reabre a época de concertos e que o budda esteja connosco.

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Durante (quase) um mês afastado dos concertos — por motivos alheios à minha vontade e absolutamente relacionados com ausência de cartazes —, é hoje dia de arrumar os DVD musicais na prateleira e voltar fisicamente ao prenchimento sonoro, em simultâneo, da retina e do tímpano.

Budda Power Blues

Budda Power Blues

Abrem, para mim, as festividades musicais de 2010 os Budda Power Blues (ver anteriores textos a respeito dos mesmos aqui e ali). Esta noite (14.01.2010) a música entusiasmante deste trio está de volta ao HotFive.

A banda tocará em solo amigo, e antevejo que — como sempre — com uma energia e naturalidade absorvente. O trio é hábil e ágil no improviso, bem como estabelece (e isso destaca-se a milhas) uma perfeita sintonia em palco. Sintonia essa que foi, aliás, recentemente sublinhada: este trio composto pelos dois irmãos Budda e Nico (na guitarra e bateria, respectivamente) e acompanhados de Tó Barbot no baixo fundou o aplaudido projecto pop-funk Monstro Mau.

Com os Budda Power Blues, asseguro-vos, musicalidades rock-funk-blues com muito improviso como nunca se ouviu.

É a maneira que eles encontraram de fazer música à — e passo o aparente pleonasmo — maneira.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

15/01/2010 em 08:34

o mau tempo é sobrevalorizado.

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Eu próprio — sem chuva e sem ventos fortes —, já estive tantas vezes sobre alerta amarela.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

13/01/2010 em 10:08

um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #15

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E, ainda, a respeito do Diabo na Cruz, conheci hoje as datas da sua digressão — onde pretendo marcar presença, pelo menos, em dois dos espectáculos. Aproveito, neste enquadramento, para despejar aqui um vídeo, literalmente, caseiro do Diabo na Cruz. Mas caseiro, apenas, porque foi gravado na cozinha de Bernardo Barata, já que a qualidade da gravação e realização é valiosa e cozinhada por Tiago Pereira — o homem cujos olhos espreitaram, recentemente, a música portuguesa e que, vítima dessa observação, produziu o documentário “SIGNIFICADO – A música portuguesa se gostasse dela própria” que, no mínimo, promete ser revelador e do qual, a seu tempo, se falará.

[ Vídeo: "Os Loucos estão certos (versão acústica)", por Diabo na Cruz]

Ah!, e aos interessados, as datas e locais da digressão do Diabo na Cruz são:

12 Fev 2010, 22:00, Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
13 Fev 2010, 22:00, Centro Cultural Vila Flôr, Guimarães
3 Mar 2010, 21:30, Teatro São Jorge, Lisboa
5 Mar 2010, 23:30, Plano B, Porto
13 Mar 2010, 22:00, Teatro Aveirense, Aveiro
1 Abr 2010, 22:00, Teatro José Lúcio da Silva, Leiria
2 Abr 2010, 22:00, Centro de Artes e Espectáculos, Portalegre
8 Abr 2010, 22:00, Teatro Municipal da Guarda, Guarda
15 Abr 2010, 22:00, Teatro Pax Júlia, Beja

“Vamos lá pôr isto a andar…”

Escrito por Cláudio Vieira Alves

11/01/2010 em 15:01

sendo que 78,9% das minhas estatísticas são inventadas.

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Não me lixem: 75% das vezes que tento ir a uma casa-de-banho, num shopping, ela encontra-se, orgulhosamente, em manutenção.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

07/01/2010 em 20:27

e os caixeiros-viajantes sabem destas coisas.

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As mulheres-utilizadoras-de-comboios-mais-bonitas entram em Coimbra B e saiem no Oriente. Ou vice-versa.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

06/01/2010 em 19:04

eu hoje venho aqui falar do rock-anti-latifundiário.

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[ este artigo foi publicado na 2.ª edição do jornal contrabando. o título original era: rock-anti-latifundiário combina com reforma musicalmente agrária. ]

Há 35 anos, em pleno pós-25 de Abril, eram muitos os músicos que, visando alcançar metas sociais outrora negadas, reclamavam e faziam ouvir a sua voz por este País fora. Sérgio Godinho, por exemplo, aproveitava e construía “À Queima-roupa” — num dos seus discos manifestamente mais políticos — um hino-manifesto à reforma agrária, colocando e cantando “Os pontos nos is”. Mais tarde, o mesmo Godinho sobre a mesma temática, cantava que “aquilo que é mesmo reforma agrária é, para alguns, o demónio vermelho”. Passaram, já o disse?, 35 anos. Pois, e só sabemos agora, uma reforma estética de anteriores e tradicionais sonoridades passava pela crucificação do pai de todos os demónios. Passava por colocar o diabo, definitivamente, na cruz.

Este Diabo na Cruz é um projecto liderado e produzido por Jorge Cruz. Antes das recentes actividades de produtor (em bandas como “Os Golpes” e “João Só e Abandonados”) Cruz contava já com uma carreira preenchida. Aliás, recapitulada a carreira do músico identificam-se, antes dos seus dois álbuns a solo — “Sede” (em 2005) e “Poeira” (em 2007) —, semelhantes sonoridades experimentadas, no início da década, em Superego. Aqui, em Diabo na Cruz, as canções são da autoria de Jorge Cruz mas foi num experimentado colectivo que estas foram trabalhadas e arranjadas, até atingirem esta forma de abanão musical. Os músicos envolvidos, e que mais parecem artesãos da música, são os talentosos B Fachada, Bernardo Barata, João Gil e João Pinheiro.

Capa do disco "Virou!" dos Diabo na Cruz.

Capa do disco "Virou!" dos Diabo na Cruz.

Os 5 elementos partiram de um EP (“Dona Ligeirinha EP”), com a rapidez com que um diabo fugiria de uma cruz, para um disco completo e sólido que, no final deste 2009, apresenta-se como uma das principais produções musicais e um disco, assumidamente, reinventivo no cenário da música tradicional portuguesa. Em forma e conteúdo diabolicamente sensual os Diabo na Cruz recolhem, em “Virou!”, os sons da nossa terra para os devolverem mais eléctricos do que nunca. Colectivamente, vendem, neste absorvente disco, um elegante e fresco upgrade ao folclore — e que inclui, ainda, direito a odores de rock em plenos anos zero.

No início do disco, Vitorino Salomé, de voz envolta em percussões, avisa que as raízes mais profundas da nossa árvore musical estão de volta à superfície. Para que se duvide, guitarras cospem electricidade e parece que o interrompem. Mas, e ainda antes que o refrão seja cantado em coro, constata-se que as canções soam: ora, modernas; ora, tradicionais. E o disco gira fazendo tudo isto, e ainda mais, ao mesmo tempo. É, provavelmente, neste equilíbrio, gerido com harmonia e mestria, que soa bem. Quando se dá conta, os onze temas rapidamente se esgotaram e a audição reclama um repeat-à-moda-antiga.

Crucifiquem-se mais demónios assim. É que um festim destes não deve, nem pode, acabar.

um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #14

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A morte de Michael Jackson foi, indiscutivelmente, um acontecimento mediático de 2009. Quer se aceite, ou não, a morte de Michael Jackson foi, a meio deste ano que agora termina, empurrado para todos como um consumo, tal como a sua música, pop. O último Rei da Pop, foi, justamente, o vocativo disparado por todo o lado. Ora, neste enquadramento, e perante a promessa de uma digressão única que mesmo não tendo arrancado já tinha ganho toda a sua forma, chegou à maioria dos cinemas, com um alargado marketing, em formato de documentário e com o mesmo nome da digressão — “This is it” — o filme que grava os últimos dias de Michael Jackson na preparação dos seus concertos.

Porém, Michael Jackson teve o seu luto em todos os formatos: televisivo (com as diversas coberturas diárias e a novela sobre a responsabilidade da sua morte), audio (com o lançamento de diversas compilações de êxitos), cinematográfico (com o lançamento do documentário), em livros (com lançamentos de diversa literatura sobre a sua vida e obra) e, agora — pelo olhar e mão de Spike Lee —, o luto em formato de teledisco. Um vídeo em cima da sua última música composta que, e com principal recurso a fotografias, revê as memórias de Michael Jackson e traduz visualmente a sua relação com o público desde novo.

No mesmo ano que Jackson morreu lamentou-se a sua morte em todos os formatos digitais. Arrisco-me a afirmar que, na indústria musical, no que diz respeito a ícones musicais: nunca um período de nojo foi tão curto e célere.

[ Vídeo: "This is It", música de Michael Jackson e teledisco de Spike Lee ]

Escrito por Cláudio Vieira Alves

30/12/2009 em 01:05

e quê?, há bar aberto, não?!

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«Maria do Rosário, outra das clientes que integrou o protesto no interior das instalações, está disposta a passar a noite de reveillon no BPP.», via Público

Escrito por Cláudio Vieira Alves

28/12/2009 em 16:09

do filme avatar, sopram excelentes imagens…

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… mas uma péssima banda sonora. Se é verdade que os batuques tribais remetem para um ambiente Pocahontas desnecessário, é ainda mais verdade que há uma música a cortar os créditos finais digna das piores. Das piores de todas as músicas da história das bandas sonoras cinematográficas.

[ Vídeo: "I see you", por Leona Lewis ]

Sejamos honestos: nem a Celine Dion conseguiria fazer uma coisa, assim, tão má.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

28/12/2009 em 14:48

Publicado em cinema, música

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festas porreiras, pá.

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Boa música, também a há, para estes tempos — e regra geral, os clássicos pop resultam melhor que as revisitações de aproximação jazzística às músicas de natal.

Um bom natal para todos. Nós, portanto.

[ Vídeo: "Last Christmas", original dos "Wham!" interpretado por David Fonseca ]

Escrito por Cláudio Vieira Alves

24/12/2009 em 18:14

Publicado em música, vídeo

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um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #13

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Em plena véspera de comemorações do nascimento de cristo — porque quer queiramos, quer não, este é o motivo de existir Natal —, nada melhor que, com o vagar destes dias, assistir (ou rever) esta mini-série levada a cabo por um grupo de adolescentes religiosos do Clube T.

No Clube T chamam a estes dois vídeos, que aqui vos convido a assistir, as duas partes de uma curta-metragem. Eu, triste por termos tão poucas mini-séries em Portugal — e perante os twists inesperados de uma história cujo argumento tem, à partida, todas as premissas para falhar —, prefiro chamar-lhe “a” mini-série religiosa  em dois episódios. A mesma mini-série que Portugal nunca sentiu falta até a ter visto.

O que têm em comum um jovem-pobre-de-rabo-de-cavalo-que-joga-ténis-apesar-de-ser-mesmo-pobre com uns hip-hopers-que-amam-jesus? E, como é possível, no meio de tudo isso, introduzir a rapariga-que-anda-montada-na-estrelinha-e-que-convida-qualquer-um-para-a-sua-festa-de-anos?

Tudo isso, e muito mais, pode ser descoberto em “Amor Maior”. A mini-série inesquecível para quem a vê.

“Drop the beat!”. Yah.

[ Vídeo: "Amor Maior (Parte I)", por Clube T ]

[ Vídeo: "Amor Maior (Parte II)", por Clube T ]

Escrito por Cláudio Vieira Alves

24/12/2009 em 11:51

o profeta de santa catarina é cego e diz assim:

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«Olhai para mim, que não posso ver.»

E para quem o ouve, acreditem-me, a rua perde instantaneamente aquelas luzes.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

23/12/2009 em 19:09

mesmo a calhar com as discussões sobre o aquecimento global na cimeira de copenhaga…

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chega hoje, depois de dias rigorosos de frio, o inverno.

Péssimo timing o desta cimeira. Com um tempo assim, a maioria só pode ser a favor de um aquecimento global.

Escrito por Cláudio Vieira Alves

21/12/2009 em 12:29