as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

Archive for Junho 2010

um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #25

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Em pleno Mundial de Futebol, quando Cristiano Ronaldo rematou a frase de os golos serem, tal qual, ketchup arriscou. Ou, então, estaria longe de conhecer o perigo das analogias.

As analogias e metáforas gozam, desde sempre, do risco de más interpretações. Na história e tradição das analogias com ketchup — cuja história moderna toca, simultaneamente, Quim Barreiros e Ronaldo — sabemos que existem frases com consequências mais dolorosas que outras.

Não?

Ora, então vejamos…

[ Vídeo: “Ensinando a masturbar” ]

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Written by Cláudio Vieira Alves

25/06/2010 at 17:46

e, agora, na rubrica: e se eu mandasse nisto tudo.

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Se eu mandasse nisto tudo: no S. João, só se podia servir vinho a martelo.

Written by Cláudio Vieira Alves

24/06/2010 at 13:36

somos o que ouvimos ou ouço, logo lembro.

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[ este este artigo foi publicado na 4.ª edição do jornal contrabando. o título original foi: era uma vez um cantor que não esqueceu o que não aprendeu. ]

Desconheço os motivos porque: i) quando me pedem para contar uma anedota, não me lembro de nenhuma; ii) perante uma ou qualquer outra situação, dou por mim a narrar as piadas (por vezes até de caserna) que aprendi algures. Os humanos têm uma relação de prisioneiros com a memória. Uma vontade de guardar tudo e de ao mesmo tempo fugir. Só que, e sabemos de antemão, a abertura da porta desta prisão — como nas outras — escapa à intervenção do próprio. Genericamente, quem se lembra de tudo queixa-se que preferia esquecer. E, ora lá está, vice-versa, é igualmente frequente. António Variações, que cantava estar além, resumia bem esta, e outras, insatisfações.

A história de Bernardo Fachada com a memória é outra. O duplamente novo autor — tanto em idade como em carreira profissional — apresenta-se numa construção musical polvilhada de referências ao passado onde as histórias já se pintam de presente. É tanto assim que, a meio da narrativa do seu primeiro longa duração “Um fim-de-semana no Pónei Dourado”, acreditamos estar perante algo simultaneamente fresco e de tal forma familiar que a memória impele, no primeiro estado auditivo, a catalogar como património acústico à escala nacional. B Fachada serve-se disso e ora desalinha a tradição num efeito harmonioso, ora agarra o ouvinte sedento de novidade e o transporta para uma paisagem sonora que vicia. Trabalhou que se fartou e depois lançou, de rajada, dois álbuns merecedores de ocuparem posições visíveis na prateleira da música portuguesa. O último, homónimo, saído no final de 2009, ultrapassou de tal forma as estações que se afigura, ainda neste Verão, como um disco onde desfilam históricas estórias. Fachada, em jeito multi-instrumentista — que Portugal também tem os seus Princes —, foge das baladas à cantautor e apimenta os retratos da cultura urbana para desfilar, e sobrepor ao silêncio, uma exposição sarcástica de nós mesmos. Em monólogo directo, o autor nascido em Cascais, desenha as metrópoles mas não se coíbe de nos pintar melodias de outros vales e montes como ocorre em D. Filomena ou em Responso para Maridos Transviados.

B Fachada, foto de Vera Marmelo
B Fachada, foto de Vera Marmelo

B Fachada é, a par de nomes como JP Simões ou Jorge Cruz, cantor que apesar de trazer a viola no saco se apresenta como músico pós-PREC sem se esvaziar musicalmente das referências musicais do passado. Abre-nos a porta do lado de dentro da memória para, lá fora e utilizando um plano B, nos mostrar a nossa própria memória. Goza, por isso, de merecida admiração — o que, como se sabe, carrega desde logo a desvantagem de borbulhar igualmente, também, fervorosas críticas.  Mas nestas coisas, e cito de cor (se a memória — ora, lá está — não me atraiçoar) Hérman José que dizia que “as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua, e quem quiser dá-la, dá-la”.