as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

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o privilégio das noites ritual terem 20 edições.

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As Noites Ritual, que já não têm rock no nome mas que ainda têm rock no seu cartaz, chegam à 20ª. edição. Permanece no Porto, e nos Jardins do Palácio de Cristal, aquele que é, desde há muito, o único festival de música portuguesa (cem por cento do cartaz é português) e um festival que mantém a aposta em focar-se, em ambiente urbano, em públicos distintos. Oscila, ora entre entrada livre, ora entre valor simbólico de entrada, e e 2011 é um ano em que se paga: 3 euros por cada uma das noites.

Cartaz das "Noites Ritual 2011".

Cartaz das "Noites Ritual 2011".

Hoje, 26 de Agosto, a primeira noite é do rock. No palco principal X-Wife, Linda Martini e a confirmação do regresso aos palcos dos Zen, enquanto no palco secundário WE TRUST e Guta Naki. Os Zen serão, admito, a principal motivação para hoje ir até às Noites Ritual. Provavelmente, deixando de lado o segundo disco “Rules, Jewels, Fools”, e pegando nas canções fortes de “The Privilege of making the wrong choice”, os Zen prometem celebrar o rock-funk que tão bem arquitectaram.

[ Vídeo: “U.N.L.O.”, por Zen ]

Amanhã, 27 de Agosto, outros estilos musicais cruzam os palcos, com Terrakota, Mind Da Gap e Orelha Negra, no palco principal.

Written by Cláudio Vieira Alves

26/08/2011 at 19:10

todos à queima das fitas.

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Eu, que nos meus anos finais de estudante nem fui muito de estar presente nas Noites da Queima das Fitas, estarei presente na edição 2011 da Queima das Fitas do Porto só por dois argumentos pesadíssimos: The Divine Comedy e Suede.

Cartaz Queima das Fitas do Porto, 2011.

Cartaz Queima das Fitas do Porto, 2011.

Os concertos decorrem de 1 a 7 de Maio e o resto do cartaz não é nada de se deitar fora — sendo curioso até que as festas académicas apresentem, actualmente, cartazes mais fortes que alguns festivais de verão.

Written by Cláudio Vieira Alves

13/04/2011 at 12:22

o muro quebrado como um conto musical.

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É hoje e amanhã (21 e 22 de Março) que o Pavilhão Atlântico, em Lisboa, comemora num concerto orquestrado por Roger Waters, quer os 30 anos decorridos sobre o lançamento do disco “The Wall“, quer o concerto emblemático em que Roger Waters derrubou um pedaço do muro de Berlim, em 1990. É justo que seja pela mão de Waters que o espectáculo nos chega já que “The Wall” respira Roger Waters por todo o lado: desde a concepção de praticamente todas as melodias e letras do disco, passando pelo desenho da capa, e até à criação dos espectáculos. Tanto assim que “The Wall” é o único disco da discografia dos Pink Floyd do qual Waters detém absolutos direitos.

Capa do disco "The Wall", dos Pink Floyd.

Capa do disco "The Wall", dos Pink Floyd.

Felizmente que uns Pink Floyd, em 1979, apesar de financeiramente arruinados, tiveram a coragem de perante o seu enriquecimento criativo construir um disco que narrasse a história de “Pink” — uma criança que a sociedade maltratou e convidou a que construísse um “muro” à sua volta. Felizmente porque dificilmente, no período de concepção e gravação deste álbum, Roger Waters terá equacionado, ou vislumbrado para lá da sua obsessão criativa, as implicações e repercussões que as suas músicas teriam na influência do rock contemporâneo ou, mais ainda, a falta que este disco faria na história da música. Felizmente, também, porque editaram, dessa forma, o disco de rock mais próximo de uma ópera, ou de uma peça de teatro; que hoje, quer em disco, quer como espectáculo, sabemos ser incontornável.

Nestes dois concertos em solo português, que são o arranque da digressão europeia “The Wall Tour”, a reinterpretação daquele que foi essencialmente um concerto cénico, e onde o The Wall foi tocado de uma ponta à outra, vai garantidamente arrebatar — até porque agora, com ainda mais tecnologia, o perfeccionista Roger Waters pode levar a cabo aquilo que sempre pretendeu apresentar: um espectáculo pautada pela excelência.

O disco que nasceu antes de mim (e que descobri, a primeira vez, há 15 anos, no topo da gaveta de discos de um amigo dos meus Pais, enquanto procurava — sim, que a verdade é esta — discos dos The Cranberries) pareceu-me sempre algo a que nunca poderia assistir ao vivo. Enganei-me. Amanhã estarei no Atlântico para confirmar, em dois actos e ao longo de 3 horas, que estar enganado, tenho aprendido, pode ser das coisas mais bonitas nisto de se estar vivo.

[ Vídeo: “Another Brick on the Wall”, por Pink Floyd ]

Written by Cláudio Vieira Alves

21/03/2011 at 20:14

quer sentir-se velho? pergunte-me como. ou arrisque aqui mesmo.

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São várias as teorias no que respeita às escolhas dos elementos a incluir na capa de um disco. A maioria das editoras defende que um disco que tenha, na capa, uma fotografia dos artistas vende sempre mais do que a utilização de desenhos, quadros ou fotografias que não associe caras dos músicos/compositores à música que ali é editada. Contudo, felizmente, nem sempre assim o é — e é por isso que a diversidade de capas acaba por constituir objecto de estudo para melómanos e permite revestir a música num pacote visual e estético que atrai, ou afasta, o ouvinte. Ainda, muitas das vezes, as pessoas que aparecem nas capas dos discos são anónimos cujo paradeiro, ou relação com a música empacotada com a sua cara, nem sempre é de âmbito público.

Dois exemplos de capas com desconhecidos são dois discos que remontam ao início dos anos 90: a capa do icónico segundo disco de grunge dos Nirvana, “Nevermind“, com a fotografia do bebé que ameaça ser pescado por um dólar americano (1991); e as miúdas-irmãs abraçadas e agarradas na capa do segundo disco de originais dos The Smashing Pumpkins, “Siamese Dream” (1993). Curiosamente, dois discos produzidos pelo mesmo Butch Vig — que é, para além de um importante produtor, conhecido como baterista dos Garbage —, mas cujas capas foram encomendadas a diferentes artistas e pensadas, com abordagens diferentes, pelos respectivos vocalistas de cada uma destas bandas.

Capas dos discos: "Siamese Dream" e "Nevermind"

Como são hoje estas crianças que deram a cara? Spencer Alden, o bebé do “Nevermind”, hoje é um adolescente. E a criança direita na capa de “Siamese Dream”, Nicole Fiorentino, acabou este ano por integrar os The Smashing Pumpkins como baixista (sim, leram bem, a miúda Nicole da capa do segundo disco dos The Smashing Pumpkins é, hoje, baixista da banda que Billy Corgan insiste em estilhaçar).

E, sim, há imagens actuais deles:

Nicole e Spencer, os miúdos das capas dos discos "Siamese Dream" e "Nevermind"

Nicole e Spencer, os miúdos das capas dos discos "Siamese Dream" e "Nevermind"

Ora, e agora: sentem-se velhos, ou não? Eu avisei.

Written by Cláudio Vieira Alves

28/02/2011 at 08:12

skunk anansie e os coliseus.

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Os Skunk Anansie formaram-se em 1994 e  — apesar da saída do baterista original, Robbie France, nos seus primeiros passos musicais — estiveram juntos até 2001. Foram, e são, reconhecidos como uma das principais bandas de rock britânico e ao longo desses anos editaram 3 importantes álbuns de rock alternativo. O rock deles afirmando-se explosivo e orgulhosamente carregado de raiva consistiu numa abordagem simultaneamente feminista e racista. Se, de diferentes formas, a fórmula do rock tocado pelo metal se encontra nestes álbuns, noutra perspectiva, os Skunk Anansie foram das bandas onde os inventos criativos da electrónica e do processamento de efeitos de um baixo (tocado e reinventado por Cass Lewis) melhor se harmonizam com a fórmula base e o compasso quaternário sujo do rock.

Skin, vocalista dos Skunk Anansie.

Skin, vocalista dos Skunk Anansie.

Posteriormente ao rompimento com a banda, a vocalista e líder Skin — de uma voz aguda, com muita personalidade e fortemente reconhecível por todos os adeptos de diferentes quadrantes musicais — ainda procurou traçar o seu caminho de um modo solitário. Porém, acabou por viver durante estes últimos anos na sombra dos Skunk Anansie e mesmo nas suas prestações ao vivo — onde sempre teve uma tendência para desafinar — era ao recordar as músicas da banda de “Charlie Big Potato” que conseguia obter uma plateia vibrante. Apesar dos seus desafinos, honra lhe seja feita, é notável a forma explosiva e viva como Skin vive o palco e consegue transportar a sua audiência para o que nele se passa.

Actualmente, já após o lançamento de um “Greatest Hits” e de uma passagem por Portugal em Novembro de 2009 regressam aos Coliseus portugueses com um novo disco de originais: Wonderlustre. Hoje e amanhã, respectivamente, dia 7 e 8 de Fevereiro, apresentam quer no Coliseu do Porto, quer no Coliseu de Lisboa, este novo disco.

Quanto ao Wonderlustre: definitivamente, não foi o disco que ficou por fazer mas poderá ser um novo relançamento da carreira que lhes permita construir bons álbuns como o foi o Stoosh. Assim, capitalizam-se com sucessos antigos e hoje, ao contrário do som de rock sujo pela electrónica ressacada em anos 90, apresentam, no novo disco, pop com pequenas pinceladas de rock. No entanto, ainda assim, será bom revê-los ao vivo bem como ouvir pedaços dos 4 discos já editados.

O primeiro single do novo Wonderlustre é “My Ugly Boy” e em pouco mais de 3 minutos desfaz-se, no vídeo, um antigo BMW.

[ Vídeo: “My Ugly Boy”, por Skunk Anansie ]

Written by Cláudio Vieira Alves

07/02/2011 at 14:12

destino: sons de vez.

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De 9 de Fevereiro e até 25 de Março de 2011, a Casa das Artes de Arcos de Valdevez, recebe a 9ª mostra de música moderna: o festival Sons de Vez.

Cartaz do "Sons de Vez 2011".
Cartaz do “Sons de Vez 2011”.

 

Ao auditório desta vila portuguesa sobem, amanhã (05/Fev pelas 23 horas), no arranque desta mostra de música portuguesa, os Linda Martini. Como já o escrevi: com poucas digressões País fora, mas com a experiência de 5 discos gravados e com um encaixe sonoro apaixonante são um quarteto a cujos espectáculos não interessa, minimamente, faltar. Neste espectáculo trazem, para além das canções do recente “Casa Ocupada”, um convidado especial: Filho da Mãe — Guitarrista como poucos (portanto merecedor da letra capital contrariando o novo acordo ortográfico) e que descobri há um ano na colectânea de novos talentos da FNAC. Quanto ao Filho da Mãe afirmo, com segurança, que é díficil não lhe ficar rendido (convido a que o vejam nesta emocionante canção). É por isto de interesse assistir a vê-lo partilhar o palco com o quarteto de Queluz.

E depois, claro, para além dos  seus originais, os Linda Martini têm a mestria de tocar-nos também com as músicas dos outros — como no caso da recente versão da canção de Lena D’ Água que partilharam no recente concerto de bolso para a Antena 3.

[ Vídeo: “Sempre que o amor me quiser”, versão Linda Martini do original de Lena D’ Água ]

A restante programação estende-se de Fevereiro a Março e contará com: Dealema, Nuno Prata, Long Way to Alaska, David Fonseca, Dead Combo, Tiguana Bibles e Mazgani. Quase duas mãos cheias de boa música moderna e portuguesa.

Cada espectáculo tem o preço único de € 10. Ah, e além de tudo isto, vale a pena arrancar para a estrada pois, além da boa música, a paisagem para aqueles lados a isso convida.

discos que vão para além de 2010.

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2010 foi, à semelhança da segunda metade dos anos 00, um ano preenchido de boa produção musical portuguesa. Os escaparates das lojas de discos renovaram-se, semanalmente, com o nascimento de novas edições. Destas, um significativo punhado de discos vai sobreviver para lá das habituais listas dos melhores discos do ano e, neste contexto, interessa-me destacá-los. Assinalarei as escolhas de discos que, não sendo necessariamente os mesmos dos fazedores das listas do ano, ocupam a posição cimeira das minhas pilhas — aquelas que, organizadamente, tenho tendência a amontoar junto ao hi-fi que rodou, cada um dos CD, pela primeira vez.

pilha de discos de fim de ano.

pilhas de alguns discos (em audição) editados em 2010.

Assim, ao longo dos próximos dias e ainda por 2011 dentro, publicarei aqui cerca de uma dezena de discos portugueses editados em 2010 e que vos recomendo a registar na memória auditiva. Sem muitas palavras, nem rankings adjectivados. Um género de lista desorganizada que se organiza para ser essa mesma lista — simples, tal qual como se pousam os discos, os livros e os filmes nas prateleiras.

Written by Cláudio Vieira Alves

29/12/2010 at 10:37

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