as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

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o privilégio das noites ritual terem 20 edições.

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As Noites Ritual, que já não têm rock no nome mas que ainda têm rock no seu cartaz, chegam à 20ª. edição. Permanece no Porto, e nos Jardins do Palácio de Cristal, aquele que é, desde há muito, o único festival de música portuguesa (cem por cento do cartaz é português) e um festival que mantém a aposta em focar-se, em ambiente urbano, em públicos distintos. Oscila, ora entre entrada livre, ora entre valor simbólico de entrada, e e 2011 é um ano em que se paga: 3 euros por cada uma das noites.

Cartaz das "Noites Ritual 2011".

Cartaz das "Noites Ritual 2011".

Hoje, 26 de Agosto, a primeira noite é do rock. No palco principal X-Wife, Linda Martini e a confirmação do regresso aos palcos dos Zen, enquanto no palco secundário WE TRUST e Guta Naki. Os Zen serão, admito, a principal motivação para hoje ir até às Noites Ritual. Provavelmente, deixando de lado o segundo disco “Rules, Jewels, Fools”, e pegando nas canções fortes de “The Privilege of making the wrong choice”, os Zen prometem celebrar o rock-funk que tão bem arquitectaram.

[ Vídeo: “U.N.L.O.”, por Zen ]

Amanhã, 27 de Agosto, outros estilos musicais cruzam os palcos, com Terrakota, Mind Da Gap e Orelha Negra, no palco principal.

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Written by Cláudio Vieira Alves

26/08/2011 at 19:10

royal albert hall ou como uma lamechice influenciou os concertos de rock.

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Quando a Raínha Vitória decidiu inaugurar o edifício que o Príncipe Alberto tinha arquitectado para ser o The Central Hall of Arts and Sciences estava a borrifar-se para o rock. Ou, pelo menos, para o bom gosto.

Sou desta opinião por vários motivos, dos quais o principal — e mesmo dando de barato o argumento de que em 1871 nem sequer havia possibilidade de Vitória conhecer o rock —  é que a Rainha escolheu um nome para este edifício com base em pura lamechice. Sim, a escolha de Royal Albert Hall of Arts and Sciences foi, na realidade, orientada apenas pela morte do seu amado Albert. Foi tanto assim que, com o dinheiro que sobrava da construção sonhada por Albert, e não bastando alterar o nome que Albert tinha arquitectado em vivo, decidiu sublinhar a lamechice ordenando erguer, mesmo do lado de lá da rua onde está a sala de concertos, um Albert Memorial.

E, se bem vistas as coisas, o nome Royal Albert Hall até é aceitável, a verdade é que o Albert Memorial é, na opinião de qualquer pessoa mentalmente sã, a pior coisinha que alguma vez aterrou em Londres. E, concordemos todos neste aspecto — mesmo os que apreciam a cruz do santuário de Fátima —, quem constrói um Albert Memorial banhado a ouro está-se a borrifar para o bom gosto e, consequentemente, para o rock.

Albert Memorial

"Albert Memorial", o monumento de homenagem a Prince Albert (Londres).

Royal Albert Hall

Mas, no caso da obra que Albert não chegou a inaugurar, ficou um imponente edifício, uma belíssima arquitectura e uma construção atenta ao detalhe. Sobreviveu a ataques da 2ª. Guerra Mundial, ao tempo, ao abandono, à falta de financiamento e, depois de várias renovações, foi elevado a caso de estudo mundial de acústica, recebeu milhares de concertos únicos e é, indiscutivelmente, uma das salas mais icónicas do rock internacional. E, para mim, isso basta e anula toda a lamechice da Rainha.

Aliás, se num prato da balança pousar The Who, Led Zeppelin, The Beatles, Elton John, Sting, Chaka Khan, Eric Clapton, Bob Dylan, Pink Floyd, etc, fica fácil esquecer o que pretendia incialmente colocar no prato oposto.

Esta sala acumulou tantos nomes, e tantos concertos brilhantes a que acabei por assistir (felizmente, existem vários registos em vídeo), que este auditório-coliseu era, para mim, um dos principais destinos turísticos.

Arrepiei-me quando visitei o Royal Albert Hall como me arrepio com algumas canções. E, sempre que revejo momentos em que as canções casam com a sala e com o público, entusiasmo-me outra, e outra vez. E, dos registos em vídeo desta mesma sala, quer me emociono com o público de 1971 (ver, por exemplo, Led Zeppelin aqui), quer me arrebata o público de 2009 (ver, com atenção, o seguinte vídeo a partir dos 3 minutos). A mesma sala, mas um público contrastante.

[ Vídeo: “Jenny was a friend of mine”, por The Killers — ao vivo no Royal Albert Hall, 2009 ]

E, a esta altura questiona-se legitimamente o leitor: isso de arrepiar com a música não é um bocado lamechas?

Respondo: é, pois. Mas, pelo menos, não leva talha dourada.

Written by Cláudio Vieira Alves

20/08/2011 at 08:28

o muro quebrado como um conto musical.

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É hoje e amanhã (21 e 22 de Março) que o Pavilhão Atlântico, em Lisboa, comemora num concerto orquestrado por Roger Waters, quer os 30 anos decorridos sobre o lançamento do disco “The Wall“, quer o concerto emblemático em que Roger Waters derrubou um pedaço do muro de Berlim, em 1990. É justo que seja pela mão de Waters que o espectáculo nos chega já que “The Wall” respira Roger Waters por todo o lado: desde a concepção de praticamente todas as melodias e letras do disco, passando pelo desenho da capa, e até à criação dos espectáculos. Tanto assim que “The Wall” é o único disco da discografia dos Pink Floyd do qual Waters detém absolutos direitos.

Capa do disco "The Wall", dos Pink Floyd.

Capa do disco "The Wall", dos Pink Floyd.

Felizmente que uns Pink Floyd, em 1979, apesar de financeiramente arruinados, tiveram a coragem de perante o seu enriquecimento criativo construir um disco que narrasse a história de “Pink” — uma criança que a sociedade maltratou e convidou a que construísse um “muro” à sua volta. Felizmente porque dificilmente, no período de concepção e gravação deste álbum, Roger Waters terá equacionado, ou vislumbrado para lá da sua obsessão criativa, as implicações e repercussões que as suas músicas teriam na influência do rock contemporâneo ou, mais ainda, a falta que este disco faria na história da música. Felizmente, também, porque editaram, dessa forma, o disco de rock mais próximo de uma ópera, ou de uma peça de teatro; que hoje, quer em disco, quer como espectáculo, sabemos ser incontornável.

Nestes dois concertos em solo português, que são o arranque da digressão europeia “The Wall Tour”, a reinterpretação daquele que foi essencialmente um concerto cénico, e onde o The Wall foi tocado de uma ponta à outra, vai garantidamente arrebatar — até porque agora, com ainda mais tecnologia, o perfeccionista Roger Waters pode levar a cabo aquilo que sempre pretendeu apresentar: um espectáculo pautada pela excelência.

O disco que nasceu antes de mim (e que descobri, a primeira vez, há 15 anos, no topo da gaveta de discos de um amigo dos meus Pais, enquanto procurava — sim, que a verdade é esta — discos dos The Cranberries) pareceu-me sempre algo a que nunca poderia assistir ao vivo. Enganei-me. Amanhã estarei no Atlântico para confirmar, em dois actos e ao longo de 3 horas, que estar enganado, tenho aprendido, pode ser das coisas mais bonitas nisto de se estar vivo.

[ Vídeo: “Another Brick on the Wall”, por Pink Floyd ]

Written by Cláudio Vieira Alves

21/03/2011 at 20:14

são os velhos: a nova rapaziada do rock português.

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Os Velhos. Anotem no telemóvel, no e-mail, num post-it, escrevam na testa, guardem nos favoritos do browser, ou onde quiserem, mas registem: esta é próxima banda portuguesa que nos vai dar música, pôr a dançar rock, fazer berrar letras e atirar-nos os corações ao alto.

"Os Velhos", fotografia de Vanda Noronha.

O quarteto (que conta com o Sebastião, o Francisco Xavier, o Lucas e o Zé Preguiça) tem tudo para que resulte. Depois de algumas colectâneas de novos talentos, alguns temas espalhados em compilações e um EP esgotadíssimo — que andou em repeat e que me custou arrancar da aparelhagem durante quase um mês —, fiquei rendido à nova banda de rock da Companhia de Discos do Campo Grande (Amor Fúria). São canções com uma secção rítmica envolvente e com a guitarra eléctrica distorcida e aguda que é impossível de enjoar. Os riffs são descomplexados e competentes, as melodias práticas, o ritmo viciante e a voz encaixa. Ou seja, tudo desenhado como uma engrenagem única e sem peças soltas. Diria que, com Os Velhos, a vida se pinta como uma mistura de The Strokes com os Um Zero Amarelo — portanto, canções do melhor.

Desde 2009 entusiasmado com este quarteto leio, com grande satisfação, a notícia que este é o ano de Os Velhos. 2011, em Abril, verá o lançamento do primeiro longa-duração desta banda. Entretanto, o novo single “A Senhora do Monte” já está disponível para audição no myspace.

Por aqui, e até lá, é assim que ficam as coisas (num vídeo-sem-vídeo-que-serve-unicamente-para-partilhar-a-canção):

[ Vídeo: “Foi assim que as coisas ficaram”, por Os Velhos ]

Written by Cláudio Vieira Alves

17/02/2011 at 13:07

skunk anansie e os coliseus.

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Os Skunk Anansie formaram-se em 1994 e  — apesar da saída do baterista original, Robbie France, nos seus primeiros passos musicais — estiveram juntos até 2001. Foram, e são, reconhecidos como uma das principais bandas de rock britânico e ao longo desses anos editaram 3 importantes álbuns de rock alternativo. O rock deles afirmando-se explosivo e orgulhosamente carregado de raiva consistiu numa abordagem simultaneamente feminista e racista. Se, de diferentes formas, a fórmula do rock tocado pelo metal se encontra nestes álbuns, noutra perspectiva, os Skunk Anansie foram das bandas onde os inventos criativos da electrónica e do processamento de efeitos de um baixo (tocado e reinventado por Cass Lewis) melhor se harmonizam com a fórmula base e o compasso quaternário sujo do rock.

Skin, vocalista dos Skunk Anansie.

Skin, vocalista dos Skunk Anansie.

Posteriormente ao rompimento com a banda, a vocalista e líder Skin — de uma voz aguda, com muita personalidade e fortemente reconhecível por todos os adeptos de diferentes quadrantes musicais — ainda procurou traçar o seu caminho de um modo solitário. Porém, acabou por viver durante estes últimos anos na sombra dos Skunk Anansie e mesmo nas suas prestações ao vivo — onde sempre teve uma tendência para desafinar — era ao recordar as músicas da banda de “Charlie Big Potato” que conseguia obter uma plateia vibrante. Apesar dos seus desafinos, honra lhe seja feita, é notável a forma explosiva e viva como Skin vive o palco e consegue transportar a sua audiência para o que nele se passa.

Actualmente, já após o lançamento de um “Greatest Hits” e de uma passagem por Portugal em Novembro de 2009 regressam aos Coliseus portugueses com um novo disco de originais: Wonderlustre. Hoje e amanhã, respectivamente, dia 7 e 8 de Fevereiro, apresentam quer no Coliseu do Porto, quer no Coliseu de Lisboa, este novo disco.

Quanto ao Wonderlustre: definitivamente, não foi o disco que ficou por fazer mas poderá ser um novo relançamento da carreira que lhes permita construir bons álbuns como o foi o Stoosh. Assim, capitalizam-se com sucessos antigos e hoje, ao contrário do som de rock sujo pela electrónica ressacada em anos 90, apresentam, no novo disco, pop com pequenas pinceladas de rock. No entanto, ainda assim, será bom revê-los ao vivo bem como ouvir pedaços dos 4 discos já editados.

O primeiro single do novo Wonderlustre é “My Ugly Boy” e em pouco mais de 3 minutos desfaz-se, no vídeo, um antigo BMW.

[ Vídeo: “My Ugly Boy”, por Skunk Anansie ]

Written by Cláudio Vieira Alves

07/02/2011 at 14:12

trio leva o rock pesado a voar.

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Hoje, Sábado (30.Out), pelas 23h30min., no Hot Five Jazz Club, dá-se a “estreia mundial” da nova banda do virtuoso guitarrista-vocalista Budda, baterista Nico, e baixista Tó Barbot: o novo trio de rock português Balão de Ferro.

Cartaz de apresentação do trio "Balão de Ferro"

Já aqui escrevi várias vezes [(1)(2)(3)] sobre diferentes apostas musicais deste trio bem como sobre os concertos longos e animados a que se prestam, habitualmente, no Hot Five. É, por isso, conhecendo o passado musical destes músicos bem como as actuais bandas que mantém de pé — Monstro Mau, Budda Power Blues e até Mundo Cão — que antevejo no novo projecto musical um rock português intimamente cruzado ora com os blues mais inspirados, ora com o funk mais dançável. Estes espectáculos são quer pela música, quer pela prestação musical, espectáculos que aprecio ver pelo empenho e entusiasmo que lhes sai do corpo e que descarregam directamente na música.

Para o espectáculo desta noite levarei a máquina fotográfica já que a banda apelou para se filmar, pelo menos, uma música deste primeiro concerto-apresentação da banda com o que que fosse possível (telemóvel, máquina fotográfica, super 8, máquina vídeo, etc). Isto para depois possam reconstruir o concerto com aquilo que foi visto por diferentes pessoas e planos. No entanto, enquanto não há vídeos na internet e como prova da boa qualidade musical bem como do especial cuidado nos vídeos que produzem, por aqui fica um excerto do DVD dos Monstro Mau no qual, a este trio, se junta a voz da brasileira Alex.

[ Vídeo: “Mostro o meu monstro mau”, por Monstro Mau ]

Written by Cláudio Vieira Alves

30/10/2010 at 19:57

agora, sim, há festa na herdade.

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O que se prevê como uma celebração de rock português, verdadeiramente POPular, e que vai virar o país à sua passagem, inicia-se hoje com a digressão do Diabo na Cruz. Nunca se ansiou tanto por assistir a folclore ao vivo. Deste: dançável, energético e eléctrico — bem sei que já vos disse. As datas da digressão já aqui as publiquei e, amanhã (13 de Fevereiro), no belíssimo Centro Cultural Vila Flôr, em Guimarães, estarei presente  a este espectáculo.

[ Vídeo: “Diabo na Cruz no Top +”, na RTP ]

Jorge Cruz, B Fachada, Bernardo Barata, João Gil e João Pinheiro sobem aos palcos com o talento, e missão, de ressuscitarem os sons tradicionais da música popular portuguesa. Um bálsamo, simultaneamente, para os ouvidos e para a tradição. E que bem precisávamos.

Written by Cláudio Vieira Alves

12/02/2010 at 12:27