as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

royal albert hall ou como uma lamechice influenciou os concertos de rock.

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Quando a Raínha Vitória decidiu inaugurar o edifício que o Príncipe Alberto tinha arquitectado para ser o The Central Hall of Arts and Sciences estava a borrifar-se para o rock. Ou, pelo menos, para o bom gosto.

Sou desta opinião por vários motivos, dos quais o principal — e mesmo dando de barato o argumento de que em 1871 nem sequer havia possibilidade de Vitória conhecer o rock —  é que a Rainha escolheu um nome para este edifício com base em pura lamechice. Sim, a escolha de Royal Albert Hall of Arts and Sciences foi, na realidade, orientada apenas pela morte do seu amado Albert. Foi tanto assim que, com o dinheiro que sobrava da construção sonhada por Albert, e não bastando alterar o nome que Albert tinha arquitectado em vivo, decidiu sublinhar a lamechice ordenando erguer, mesmo do lado de lá da rua onde está a sala de concertos, um Albert Memorial.

E, se bem vistas as coisas, o nome Royal Albert Hall até é aceitável, a verdade é que o Albert Memorial é, na opinião de qualquer pessoa mentalmente sã, a pior coisinha que alguma vez aterrou em Londres. E, concordemos todos neste aspecto — mesmo os que apreciam a cruz do santuário de Fátima —, quem constrói um Albert Memorial banhado a ouro está-se a borrifar para o bom gosto e, consequentemente, para o rock.

Albert Memorial

"Albert Memorial", o monumento de homenagem a Prince Albert (Londres).

Royal Albert Hall

Mas, no caso da obra que Albert não chegou a inaugurar, ficou um imponente edifício, uma belíssima arquitectura e uma construção atenta ao detalhe. Sobreviveu a ataques da 2ª. Guerra Mundial, ao tempo, ao abandono, à falta de financiamento e, depois de várias renovações, foi elevado a caso de estudo mundial de acústica, recebeu milhares de concertos únicos e é, indiscutivelmente, uma das salas mais icónicas do rock internacional. E, para mim, isso basta e anula toda a lamechice da Rainha.

Aliás, se num prato da balança pousar The Who, Led Zeppelin, The Beatles, Elton John, Sting, Chaka Khan, Eric Clapton, Bob Dylan, Pink Floyd, etc, fica fácil esquecer o que pretendia incialmente colocar no prato oposto.

Esta sala acumulou tantos nomes, e tantos concertos brilhantes a que acabei por assistir (felizmente, existem vários registos em vídeo), que este auditório-coliseu era, para mim, um dos principais destinos turísticos.

Arrepiei-me quando visitei o Royal Albert Hall como me arrepio com algumas canções. E, sempre que revejo momentos em que as canções casam com a sala e com o público, entusiasmo-me outra, e outra vez. E, dos registos em vídeo desta mesma sala, quer me emociono com o público de 1971 (ver, por exemplo, Led Zeppelin aqui), quer me arrebata o público de 2009 (ver, com atenção, o seguinte vídeo a partir dos 3 minutos). A mesma sala, mas um público contrastante.

[ Vídeo: “Jenny was a friend of mine”, por The Killers — ao vivo no Royal Albert Hall, 2009 ]

E, a esta altura questiona-se legitimamente o leitor: isso de arrepiar com a música não é um bocado lamechas?

Respondo: é, pois. Mas, pelo menos, não leva talha dourada.

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Written by Cláudio Vieira Alves

20/08/2011 às 08:28

2 Respostas

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  1. O interessante é que o pobre do Alberto sempre disse que quando morresse não queria cá nada de espalhafatoso ou grandioso em memória dele, preferia algo mais singelo. Yeah, right!

    fracktal

    20/08/2011 at 10:20


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