as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

Archive for Novembro 2009

a confusão dos sentidos.

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Há em alguns discos — e conto tantos assim — uma tal confusão de sons no ambiente sonoro que, e ainda que considere que tenha um bom ouvido, desenvolvo sérias dificuldades em identificar de onde vem, e como vem, aquele ou outro som. A possibilidade de os decifrar é um dos motivos porque gosto, especialmente, de um DVD musical bem realizado e equalizado.

Pat Metheny é um exemplo vivo desse tipo de construção de paisagens sonoras vivas e, simultaneamente, densas. É um guitarrista referência e detentor de um punhado de discos que são, para mim, significativos no meu pequeno crescimento musical. A(s) sua(s) guitarra(s) e a sua composição arrojada e pautada por notas, clinicamente, introduzidas nas peças que edita, assombram-me.

Pat Metheny

Pat Metheny

Quanto à escolha de um álbum, eu responderia com o “The Way Up” do seu Pat Metheny Group. É um álbum na sua construção, década e complexidade auditiva: limpo, actual e fácil, respectivamente  — tudo adjectivos acertados. Mas, é uma das minhas principais escolhas como companhia numa viagem nocturna mais longa. E isso, como qualquer ouvinte de música saberá, tem muito valor. No contexto de ambiente sonoro rico e, por vezes, arrebatador da audição é, igualmente, um excelente exemplo.

Ora, espreite-se o próximo vídeo com um excerto de uma música deste álbum — e retirado de um DVD ao vivo. Se estiver fácil nomear a precedência de cada uma das notas, sugiro o exercício de fechar os olhos e tentar adivinhar. Isto para depois espreitar e aferir da pontaria auditiva.

Conseguiram? Pois, lá está.

[ Vídeo: “Opening (The Way Up)”, por Pat Metheny Group ]

Written by Cláudio Vieira Alves

20/11/2009 at 21:30

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a voz da inexperiência.

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Está mais frio aqui do que na cama de um casal em pré-divórcio.

Written by Cláudio Vieira Alves

20/11/2009 at 00:02

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e despistado é só o meu nome do meio.

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Entre tantas contabilidades para aferir a produção proveniente de fontes solares, contabilizo o meu esquecimento de, tantas vezes, e simplesmente, espreitar o dia.

Ironia estúpida com que a vida nos rebenta.

Written by Cláudio Vieira Alves

18/11/2009 at 13:31

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um vídeo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia. #09

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Se me dizem que hoje é dia de festa, há que reconhecer e pensar em folia. E se há folia, para mim, tem que haver música. E, neste formato de festa e folia, reconheço o efeito humorístico da música underground.

Assim, hoje sou eu que convido e que dou duas prendas. Dois exemplos de músicos que, apesar, de não serem os vocalistas exibem, na sua prestação, a vontade de serem o centro e os líderes das bandas. Dois vídeos que me são, absolutamente, muito queridos e dos mais favoritos dos favoritos que guardo no YouTube. Obrigatórios.

[ Vídeo: o teclista em formato sou-o-maior-da-minha-rua… ]

[ Vídeo: o baterista que almejava nunca passar despercebido…]

Written by Cláudio Vieira Alves

10/11/2009 at 20:01

Publicado em música, um vídeo por dia, vídeo

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epifanias instantâneas.

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Descobre-se, assim, num amanhã arrancado ao passado, que a garganta ficou seca de todos os nós que por lá lhe passaram.

Revê-se um homem naquela autoritária voz envergonhada. A mesma que, num queixume, simultaneamente pede e avisa. A voz, num final de noite, com que adolescentes avisam os seus pais.

Páro, para me escutar e te olhar, na frase que calei.

Aquela que arriscava soar a: “ainda é muito cedo para me levares”.

Written by Cláudio Vieira Alves

07/11/2009 at 14:40

definições de bolso.

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Ouvires o cão da tua rua que — longe, bem longe — ladra quando me sente passar é, para mim, uma definição da distância do amor. Um amor que, também, te apetece ouvir.

Written by Cláudio Vieira Alves

05/11/2009 at 11:22

Publicado em instantâneas

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os segredos divinos do rock em portugal.*

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[ este artigo foi publicado — com erros de paginação alheios ao seu autor — na 1ª edição do jornal contrabando. o título original era: a nova música portuguesa. ou, cristo tinha cabelos compridos por gostar de grunge? ]

"só neste país", a rubrica de música portuguesa do jornal contrabando.

Há já muito tempo que o mercado da música popular portuguesa se encontrava fechado em si mesmo. O retrato da música nacional era polarizado e a imagem deste alternava apenas entre dois estados: uma espécie de promiscuidade criativa; ou políticas castradoras de talento. Ou seja: ou existia o monopólio dos mesmos músicos, mesmas produtoras e os mesmos protagonistas em curto-circuito; ou aparições tímidas, aqui e ali, afastadas de um grande público de consumo e impossibilitadas de se demarcarem de um primeiro EP caseiro. A referência e tendência para o nosso mercado local — diziam-nos os especialistas — era o modelo discográfico das fracas vendas a que lá fora assistíamos. A isto juntavam, e insistiam, um só nome para o grande culpado. Pirataria. A mesma que, ainda hoje, é sinónimo da dificuldade em se venderem discos. Sinónimo, claro, nas mentes que só vêm a redução das vendas onde a maioria espreita um aumento de procura e consumo da música.

Ora, com tudo isto, toda uma geração musical de adeptos de um pop-rock português  pautado por inovação — e cujo sinal dos últimos fragmentos residia no final inesperado dos Ornatos Violeta —, sofria e ansiava por novo alimento musical. Os teimosos, ainda da explosão dos anos 80, que mantinham a sua produção musical ou, por exemplo, os inventivos Clã já não bastavam. Era urgente maior produção nacional de música.

O deserto musical desaparece quando, recentemente, qualquer coisa de refrescante ocorre. A música portuguesa volta a ocupar a sua posição dinamizadora com a entrada em cena de algumas bandas que se tornaram um fenómeno. Assuma-se a qualidade criativa e ambiente sonoro que, sustentadamente, Linda Martini, peixe:avião, Mundo Cão, doismileoito, etc, reúnem. Mas, assuma-se maior surpresa quando, subitamente, confrontamo-nos com um culto desenhado à volta de Tiago Guillul, Os Pontos Negros, Samuel Úria, Os Golpes, Diabo na Cruz e tantos outros. Num curto espaço de tempo aparecem uns desconhecidos que nos parecem de origem clandestina. E, damos por nós a pensar: mas, como é que a estes tipos a pirataria não destruíu o crescimento? E, enquanto o pensamos, os ditos especialistas ainda se interrogam quem são eles.

O denominador comum destes diferentes nomes — que nos aparecem seja nas colectâneas ou festivais de verão, passando pela rádio — traduz-se em: evangelização, associativismo religioso, clubismo, crença num mesmo Deus — caramba!, tanta adjectivação para algo tão simplesmente traduzido no português corrente como fé. Mas sempre existiu?, pergunta o leitor mais interrogativo. Decerto que sim. A novidade está na sua união, através da editora Flor Caveira ou promotora Amor Fúria, que os transporta para o mercado onde todos os outros, hereges, se encontram. “Os Pontos Negros” não estarão muito longe da qualidade dos antigos “A Instituição” (banda dos anos 90 de Tiago “Guillul” Cavaco) mas a sua promoção e suporte é hoje diferente daquela que, anteriormente, estava limitada a uma pequena comunidade baptista. É colectiva. Assente. Sólida. E, pelo que se vê, tudo isto funciona. Isto porque não acredito que eles sejam abençoados por Cristo — apesar de, segundo a História, Cristo ter tido cabelo comprido e só por isso podermos afirmar ter sido um apaixonado por boa música. O segredo é menos divino e, como dizia o outro, está na massa. Nos ingredientes mais básicos.

Em última análise, e a provocação é atirada para fora da compreensão dos analistas de mercado, o que move estas novas bandas de rock é desconcertante na filosofia comercial da indústria da música. É imperceptível ao radar de negócios. Na realidade o que os move(u), fundamentalmente, é uma necessidade de levar a mensagem. Fazem-no afastados dos números e da imposição de vendas. E o desígnio, a emergência de cumprir os sonhos, é imbatível. Ironia das ironias, um dos veículos para se vender música popular portuguesa é precisamente o meio anti-comercial. Ainda, deste modo colectivo, conseguiram ocupar uma posição e ganhar um mercado mais robusto para a sua equipa (o seu catálogo de músicos) do que teriam conseguido para um nome isolado.

Generalizando, reparo que depois de tantos anos regressamos a este que foi, outrora, o grau zero das indústrias discográficas. E na volta, talvez interesse retornar aos primeiros conceitos para deles reerguer a indústria. Porque é possível vender discos num mercado que afirmavam estar saturado pela pirataria do mp3? É possível conquistar pequenos e grandes palcos alheados de um marketing peganhento? Sim, aparentemente, é possível recrutar, ainda, entusiastas para a nossa cultura musical.

É uma lição para promotoras e editoras. E para os analistas. E se não o é, devia.

Written by Cláudio Vieira Alves

02/11/2009 at 22:02