as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

Posts Tagged ‘sérgio costa

ao vivo: as canções e rumbas inadaptadas de um trovador.

with one comment

JP Simões, “o mais português dos artistas portugueses“, não está desaparecido dos palcos nem tão pouco criativamente interrompido; antes pelo contrário: tem novas canções escondidas no fundo do saco da guitarra e tem dividido as suas prestações ao vivo ora a solo, ora com os ressuscitados Belle Chase Hotel.

O cantor e compositor  contribui activamente para a  história da música portuguesa: passou pelos Pop Dell’Arte, criou os Belle Chase Hotel e os Quinteto Tati, inventou obras a solo como a “Ópera do Falhado” e foi, durante mais de uma década, o único cantautor de uma nova geração. Bom, arriscaria dizer, o único cantautor da sua geração — a mesma que descreve, brilhantemente, em “1970” (canção do álbum homónimo editado como seu primeiro disco a solo).

Posto isto, a matemática é simples: os atributos somam-se e têm peso suficiente para que nos demoremos a escutá-lo.

 

foto: jp simões no tertúlia castelense, jan.2010

Este fim-de-semana, a solo e no Grande Porto, apresenta velhas canções e outras novas — tanto do próximo longa duração “Onde Mora o Mundo”, tanto de um novo disco prometido também para edição em 2011 . As datas e locais são: Tertúlia Castelense (sábado, 29 de janeiro pelas 23h30min., € 7,5) e Café Au Lait (domingo, 30 de janeiro pelas 19horas com entrada livre e integrado no Bodyspace Au Lait).

JP Simões liga lindamente com o ao vivo. De facto, consegue transpirar, entre intervalos das canções, um humor abrasivo existencial sem comprometer uma abordagem alternativa, e muitas vezes acústica, às suas próprias canções.

Não se trata de boato: JP é homem de palco  — o que transparece, também, no seu segundo disco a solo, gravado ao vivo e com esse nome [“Boato”]. E, só por isto, assim se ganha um fim-de-semana.

[ Vídeo: “Tango do Antigamente”, por JP Simões ]

 

 

 

Anúncios

«o trovador é uma espécie em extinção, quando se extinguir o amor.»

leave a comment »

Amanhã, dia 2 de Julho, decorre na Casa da Música, a abertura do Festival Mestiço 2009 — que se estende ao longo de 4 dias. Numa noite: dois espectáculos, por € 15.

Cartaz do Festival Mestiço 2009, na Casa da Música.

Cartaz do Festival Mestiço 2009, na Casa da Música.

Esta primeira noite de festival apresenta-se dividida em dois actos e conta com — como cabeça de cartaz — a dupla Naná Vasconcelos e Virgínia Rodrigues. Com um som absolutamente oriundo de raízes africanas e que bebe outro tanto na música popular brasileira, o espectáculo deste duo é apontado como sendo memorável. Tem, ainda, e importa registá-lo, como ponto forte: a impressionante componente de percussão. Vale a pena, aparentemente, experimentar uma audição ao vivo.

Quanto à abertura desta noite que decorre na Sala Suggia, fica a responsabilidade entregue a um dos melhores cantores, autores e compositores portugueses: JP Simões. Com uma bagagem musical tão abrangente como a expressão da sua voz, JP Simões, construíu ao longo dos anos uma carreira sólida como músico e cantor português. Dos Pop Dell’Arte aos Quinteto Tati, JP Simões foi, também, juntamente com o pianista Sérgio Costa, a alma dos Belle Chase Hotel. A solo, seja com o espectáculo “Ópera do Falhado” ou com o brilhante “1970”, revela a sua melhor face e todo o seu génio. Indiscutivelmente, coisa de trovador. É, mesmo, nos espectáculos ao vivo — e quem já o experimentou concordará, certamente! — que JP Simões agarra todos os ouvintes. Os argumentos para tal vão da voz, ao jeito desenfreado com que (ab)usa do seu humor irónico. Todos aqueles que com ele partilham e se envolvem nessas noites de boa música são, de algum modo, tocados por esta figura e pela música que nele habita. Uma coisa digna de músico do antigamente.

[ Vídeo: “Tango do Antigamente”, por JP Simões ]

Foi, assim, no recente álbum ao vivo “Boato” e será, certamente, assim nesta estreia de um espectáculo novo. Para tal, JP Simões reuniu-se de uma nova banda de suporte. Amanhã, estarão em palco: JP Simões (voz e guitarra), Afonso Pais (guitarra), Babi Bergamini (bateria), Norton Daiello (baixo), Rui Alves (percussões), Sérgio Costa (piano, flauta e melódica) e Tomás Pimentel (trompete, fliscorne, piano e acordeão). É, reconheço, esta presença e este novo espectáculo que amanhã me levam a este Festival. Para rever, com todo o prazer, o cantautor que — a par de Sérgio Godinho — até hoje, tive o privilégio de ver mais vezes ao vivo.

Written by Cláudio Vieira Alves

01/07/2009 at 21:29