as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

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skunk anansie e os coliseus.

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Os Skunk Anansie formaram-se em 1994 e  — apesar da saída do baterista original, Robbie France, nos seus primeiros passos musicais — estiveram juntos até 2001. Foram, e são, reconhecidos como uma das principais bandas de rock britânico e ao longo desses anos editaram 3 importantes álbuns de rock alternativo. O rock deles afirmando-se explosivo e orgulhosamente carregado de raiva consistiu numa abordagem simultaneamente feminista e racista. Se, de diferentes formas, a fórmula do rock tocado pelo metal se encontra nestes álbuns, noutra perspectiva, os Skunk Anansie foram das bandas onde os inventos criativos da electrónica e do processamento de efeitos de um baixo (tocado e reinventado por Cass Lewis) melhor se harmonizam com a fórmula base e o compasso quaternário sujo do rock.

Skin, vocalista dos Skunk Anansie.

Skin, vocalista dos Skunk Anansie.

Posteriormente ao rompimento com a banda, a vocalista e líder Skin — de uma voz aguda, com muita personalidade e fortemente reconhecível por todos os adeptos de diferentes quadrantes musicais — ainda procurou traçar o seu caminho de um modo solitário. Porém, acabou por viver durante estes últimos anos na sombra dos Skunk Anansie e mesmo nas suas prestações ao vivo — onde sempre teve uma tendência para desafinar — era ao recordar as músicas da banda de “Charlie Big Potato” que conseguia obter uma plateia vibrante. Apesar dos seus desafinos, honra lhe seja feita, é notável a forma explosiva e viva como Skin vive o palco e consegue transportar a sua audiência para o que nele se passa.

Actualmente, já após o lançamento de um “Greatest Hits” e de uma passagem por Portugal em Novembro de 2009 regressam aos Coliseus portugueses com um novo disco de originais: Wonderlustre. Hoje e amanhã, respectivamente, dia 7 e 8 de Fevereiro, apresentam quer no Coliseu do Porto, quer no Coliseu de Lisboa, este novo disco.

Quanto ao Wonderlustre: definitivamente, não foi o disco que ficou por fazer mas poderá ser um novo relançamento da carreira que lhes permita construir bons álbuns como o foi o Stoosh. Assim, capitalizam-se com sucessos antigos e hoje, ao contrário do som de rock sujo pela electrónica ressacada em anos 90, apresentam, no novo disco, pop com pequenas pinceladas de rock. No entanto, ainda assim, será bom revê-los ao vivo bem como ouvir pedaços dos 4 discos já editados.

O primeiro single do novo Wonderlustre é “My Ugly Boy” e em pouco mais de 3 minutos desfaz-se, no vídeo, um antigo BMW.

[ Vídeo: “My Ugly Boy”, por Skunk Anansie ]

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Written by Cláudio Vieira Alves

07/02/2011 at 14:12

discos que vão para além de 2010. (ii)

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"Deve Haver", de Nuno Prata

"Deve Haver", de Nuno Prata

A realidade é que os Ornatos Violeta ramificaram-se em diferentes braços pela música portuguesa. A verdade é que, ainda assim, não é à sombra dos Ornatos Violeta que a produção musical dos seus ex-elementos ocorre. Não foi assim com Manuel Cruz, nem com Elísio Donas, Kinorm ou Peixe, e muito menos com Nuno Prata. Em 2006, aquele que conhecíamos como baixista dos Ornatos, apresentava-se ora de guitarra acústica, ora de baixo eléctrico, em punho para apresentar um disco: “Todos os dias fossem estes/outros”. Uma diferente (e valiosa) abordagem à música popular portuguesa era a proposta de Prata: com contribuições inovadoras e frescura intrumental dos dois elementos que o acompanham (António Serginho e Nico Tricot) mas, principalmente, pela composição melódico-ritmíca e, tanto mais, pelas estórias despidas.

A amostra que em 2006 tivemos apresentou-se, em 2010, através do segundo longa-duração “Deve Haver“, consolidada. A audição das complexas composições pop do disco desenvolve-se por camadas apesar das mesmas resultarem, em última análise, em melodias simples. Vertido de uma ponta à outra de detalhes musicais bem construídos (como o são, por exemplo, os pequenos apontamentos de percussão e de sintetizadores) o disco convida a repetidas audições; e as canções, com temáticas identificáveis e palavras daquelas que se usam mesmo todos os dias, são viciantes narrativas.

Se, há 4 anos atrás, Nuno Prata surpreendia — agora convence.

[ Vídeo: “Essa dor não existe (tu isso sabes, não sabes?)”, por Nuno Prata ]

Written by Cláudio Vieira Alves

05/01/2011 at 23:47

festas porreiras, pá.

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Boa música, também a há, para estes tempos — e regra geral, os clássicos pop resultam melhor que as revisitações de aproximação jazzística às músicas de natal.

Um bom natal para todos. Nós, portanto.

[ Vídeo: “Last Christmas”, original dos “Wham!” interpretado por David Fonseca ]

Written by Cláudio Vieira Alves

24/12/2009 at 18:14

Publicado em música, vídeo

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papa in rio 2010.*

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«O Papa Bento XVI realiza entre 11 e 14 de Maio uma visita oficial e pastoral a Portugal, onde visitará as cidades de Lisboa, Fátima e Porto, anunciou hoje o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo.», via Público

«Papa Bento XVI x Marilyn Monroe Crossover = O Papa é Pop!», por Eduardo Wagner

«Papa Bento XVI x Marilyn Monroe Crossover = O Papa é Pop!», por Eduardo Wagner

A Avenida dos Aliados, defronte à Câmara Municipal do Porto que é, actualmente, liderada pelo autarca mais contabilistíco do País, Rui Rio, será, também, alvo desta visita.

«No último dia da visita, 14 de Maio, o Papa desloca-se ao Porto, onde preside a mais uma celebração eucarística, na Avenida dos Aliados.», via TVI24

* eu não vou.

Written by Cláudio Vieira Alves

07/12/2009 at 17:10

michael jackson, o rei da pop dançável.

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Acaba de morrer, de ataque cardíaco, com 50 anos de idade, o aclamado Rei da Pop. Era, para mim, mais do que um rei: o criador do melhor pop dançável. Genial e criativo, principalmente, pelas pinceladas de funk que, em discos como o Thriller (o álbum mais vendido de sempre na história da música), por nele se encontra.

Pertenço a toda a uma geração ocidental que com Michael Jackson despertou. Miúdos que, ao ouvi-lo, dançaram e cantaram as primeiras músicas de raízes R&B. Recordo e reconheço, sem grande esforço de memória, a marcante campanha publicitária da Pepsi. Foi assim que, para mim, foi possível receber as primeiras cassetes e posters do ex-miúdo-que-tinha-vindo-dos-Jackson-5. Ainda tenho, algures, o poster com um Dangerous dourado gravado.

Michael Jackson.

Michael Jackson.

Construíu, acima de tudo, e para lá das complicações mediáticas: bons discos. E é assim que, totalmente alheio ao provável oportunismo que irá aparecer nos próximos dias, o recordarei. Como o nome forte do catálogo da Motown Records. Nas suas raízes expostas numa linguagem musical que, miúdo ou jovem, me fazem sorrir. Na sua dança característica que era composta por mais do que a sua clássica moonwalk. Na sua encenação, digna de bom cinema, nos espectáculos e nos tele-discos onde se revelava, igualmente, inventivo. E, claro, na sua voz.

[ Vídeo: “Billie Jean”, ao vivo, por Michael Jackson ]

Michael Jackson revelou-se, apesar da sua pop de origens soul, transversal a todos os quadrantes musicais. Foi, provavelmente, por esse motivo, que vários lhe prestaram tributos, ainda em vida. Ficaram duas distintas homenagens — que me são, especialmente, sensíveis — de muitas. Chris Cornell e Miles Davis com, dois temas de ThrillerBillie Jean e Human Nature, respectivamente.

[ Vídeo: “Billie Jean”, ao vivo, por Chris Cornell ]

[ Vídeo: “Human Nature”, ao vivo, por Miles Davis ]

Written by Cláudio Vieira Alves

25/06/2009 at 23:25

Publicado em música, notícias, vídeo

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a minha vida dava um jingle. #13

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Sinto tudo e faço de conta que não. Sinto todos e, nessa obsessão de sentir o que me despertam, me divido de me sentir a mim. Sou de uma sensibilidade que não quis ter e que me custa, agora, perder: um bruto vidrinho de cheiro em que não me escolhi tornar. 

Os sentimentos – bons ou maus – despertam-me a atenção. Se camuflados fazem-me sorrir. Tal e qual sorrio, (in)ternamente, pelos tiques de linguagem que, ao estilo da febre contagiosa, atravessam o ar mais rápido do que o fumo de cigarro numa sala. E tudo isto está mais relacionado do que aparenta. Pelo menos, foi assim que hoje o senti.

[“I feel it all”, por Feist ]

Written by Cláudio Vieira Alves

30/04/2009 at 11:00

a minha vida dava um jingle. #10

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Saio, com outra certeza, do que aquela de quando cá cheguei. Outra, diferente, das certezas – que costumamos denominar de absolutas – e que eram tão fundamentalistas.

Outra idade, dirás. Eu respondo que não, que a mutação de ideias e valores é o meu nome do meio. E dizemos tudo isto num diálogo que inventei mas que tem mais de real do que os sonhos que adoramos desenhar nas horas em que viajamos estrada fora. 

Ponte do Freixo, foto de João Limão

Ponte do Freixo, foto de João Limão

Ontem, atravessei a ponte, e é engraçado como o faço nuns dias mais rápido do que noutros e raramente isso tem relação com a densidade de carros existente. Faço-o com menos frequência do que gostaria – distraio-me demasiado com a vida e a viver, já me conheceste assim. 

Passam os quilómetros num sorriso, alimentado a sem chumbo 95, encurtando a distância física. Vou trauteando. Que vou à aldeia, e ao campo. À cidade que tem nome de vila, numa ironia que me diverte. Ao Planeta Gaia.

Contigo, por momentos acaba-se com a guerra e confirmo que: se o amor é pop, tu és minha Madonna de trazer por casa.

[ “Digital Gaia”, por GNR ]

Written by Cláudio Vieira Alves

08/04/2009 at 06:10