as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

Posts Tagged ‘2010

discos que vão para além de 2010. (ii)

leave a comment »

 

"Deve Haver", de Nuno Prata

"Deve Haver", de Nuno Prata

A realidade é que os Ornatos Violeta ramificaram-se em diferentes braços pela música portuguesa. A verdade é que, ainda assim, não é à sombra dos Ornatos Violeta que a produção musical dos seus ex-elementos ocorre. Não foi assim com Manuel Cruz, nem com Elísio Donas, Kinorm ou Peixe, e muito menos com Nuno Prata. Em 2006, aquele que conhecíamos como baixista dos Ornatos, apresentava-se ora de guitarra acústica, ora de baixo eléctrico, em punho para apresentar um disco: “Todos os dias fossem estes/outros”. Uma diferente (e valiosa) abordagem à música popular portuguesa era a proposta de Prata: com contribuições inovadoras e frescura intrumental dos dois elementos que o acompanham (António Serginho e Nico Tricot) mas, principalmente, pela composição melódico-ritmíca e, tanto mais, pelas estórias despidas.

A amostra que em 2006 tivemos apresentou-se, em 2010, através do segundo longa-duração “Deve Haver“, consolidada. A audição das complexas composições pop do disco desenvolve-se por camadas apesar das mesmas resultarem, em última análise, em melodias simples. Vertido de uma ponta à outra de detalhes musicais bem construídos (como o são, por exemplo, os pequenos apontamentos de percussão e de sintetizadores) o disco convida a repetidas audições; e as canções, com temáticas identificáveis e palavras daquelas que se usam mesmo todos os dias, são viciantes narrativas.

Se, há 4 anos atrás, Nuno Prata surpreendia — agora convence.

[ Vídeo: “Essa dor não existe (tu isso sabes, não sabes?)”, por Nuno Prata ]

Anúncios

Written by Cláudio Vieira Alves

05/01/2011 at 23:47

discos que vão para além de 2010. (i)

leave a comment »

V, de Tiago Guillul

V, de Tiago Guillul

Depois de quatro discos de originais, e no ano em que Tiago Cavaco enterra 10 anos de carreira de Tiago Guillul, o pregador-cantor que criou a FlorCaveira editou no início do Verão de 2010 o “V”.

O disco, numa edição em duplo formato: CD e LP, rapidamente apanha o ouvinte pelo seu tom bem disposto pintado em tons de areia, pelas líricas despretensiosas e pelas frases musicais coladas em camadas e que se agarram ao céu da boca. A matéria-prima deste quinto longa-duração foi despejada lá para dentro com cantores da música portuguesa que vão do Rui Reininho ao Joaquim Albergaria, passando pelo Samuel Úria, com muitos dos intrumentistas da FlorCaveira (como é o caso de Os Pontos Negros) e com histórias para todos as temáticas — política, família, rock de garagem, religião, etc. Ainda, a produção mais cuidada onde existe uma clara opção de abandono do lo-fi — presente na sua discografia, por exemplo, até ao anterior “IV” — permite empacotar todo o disco como mais perceptível e, neste contexto, mais valioso.

É, para mim, o principal disco da carreira de Guillul, uma importante e diferente visão de como fazer rock popular português, um conjunto de boas canções e, declaradamente, parte integrante da minha lista dos melhores de 2010.

[ Vídeo: “São sete voltas p’rá muralha cair”, por Tiago Guillul (com joaquim albergaria) ]

Written by Cláudio Vieira Alves

30/12/2010 at 15:33

discos que vão para além de 2010.

leave a comment »

2010 foi, à semelhança da segunda metade dos anos 00, um ano preenchido de boa produção musical portuguesa. Os escaparates das lojas de discos renovaram-se, semanalmente, com o nascimento de novas edições. Destas, um significativo punhado de discos vai sobreviver para lá das habituais listas dos melhores discos do ano e, neste contexto, interessa-me destacá-los. Assinalarei as escolhas de discos que, não sendo necessariamente os mesmos dos fazedores das listas do ano, ocupam a posição cimeira das minhas pilhas — aquelas que, organizadamente, tenho tendência a amontoar junto ao hi-fi que rodou, cada um dos CD, pela primeira vez.

pilha de discos de fim de ano.

pilhas de alguns discos (em audição) editados em 2010.

Assim, ao longo dos próximos dias e ainda por 2011 dentro, publicarei aqui cerca de uma dezena de discos portugueses editados em 2010 e que vos recomendo a registar na memória auditiva. Sem muitas palavras, nem rankings adjectivados. Um género de lista desorganizada que se organiza para ser essa mesma lista — simples, tal qual como se pousam os discos, os livros e os filmes nas prateleiras.

Written by Cláudio Vieira Alves

29/12/2010 at 10:37

as festas das boas dão-se. mas, principalmente, fazem-se.

leave a comment »

A todos, mas principalmente para nós/vós, um Bom Natal.

[ Música: “Dia de Natal”, de B Fachada ]

Desejo, profunda e sinceramente, que o Natal nos trate bem e que nele se renove a força para fazermos do próximo ano aquele em que, no mínimo, se vai espelhar o nosso empenho.

De resto: rir dos Pais Natais e mandá-los lixar já não vai nada mal de prenda.

 

foto: o natal é um mimo, por cláudio vieira alves.

foto: o natal é um mimo, por cláudio vieira alves.

Written by Cláudio Vieira Alves

23/12/2010 at 16:15