as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

Archive for the ‘o meu baú de recordações é um tesouro’ Category

a voz, a expressão, a criatividade — o artista.

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Raul Solnado e as suas histórias são, desde há muitos anos e para mim, audição obrigatória. Um velho hábito que passou da geração dos meus Avós e chegou até mim, ainda em formato vinil, pelos meus Pais. Um património de humor nacional a que, aprendi cedo, era impossível ficar-se indiferente.

Raul Solnado (1929-2009)

Raul Solnado (1929-2009)

Foi, já no formato digital, que apresentei as suas histórias a tantos outros e, até em grupo, partilhei viagens com a companhia das suas histórias.  Histórias que num registo de fantasia humorística e, apenas com uma voz, apaixonavam nas pausas, na imitação da pronúncia rural e na criação de expressões que, ainda hoje, utilizo.

Raul Solnado, em diversas fases da sua vida, produziu muito na sua vida. Foi, como artista, fiel ao seu estilo, à sua paixão e à sua visão. Foi, em si mesmo, valioso.

As histórias eram de um tempo em que o stand-up nem existia como conceito stand-up e o humor non-sense acompanhado de um olhar crítico à sociedade era vedado pela censura.

Raul lutou contra esse tempo. E esse tempo não volta mais. É triste, mas nem o Solnado.

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Written by Cláudio Vieira Alves

08/08/2009 at 16:22

o meu baú de recordações é um tesouro. #05

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Para mim, e até hoje — que a memória não deixa esquecer —, o melhor vídeo, na categoria de mau-gosto, utilizado como marketing político.

Vale bem a pena rever, todas as vezes que forem possíveis.

[ Vídeo: “Guerreiro Menino”, vídeo de apoio à candidatura de Santana Lopes às Legislativas de 2005. ]

Written by Cláudio Vieira Alves

27/07/2009 at 10:23

o meu baú de recordações é um tesouro. #04

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Motivado pela recente notícia, de que Prince pretende trabalhar com Ana Moura, recordei-me de uma rábula onde, longe de se poder imaginar tal associação — fado e Prince —, o Hérman Enciclopédia brincava com os duetos  improváveis.

É por este, e outros, motivos que Hérman Enciclopédia é, ainda, para mim: o melhor programa de humor feito, produzido e interpretado em Portugal. (Passando a publicidade: o Volume 1 desta obra, de genial e divina comédia, já se encontra à venda.)

[ Vìdeo: “(Carlos) “Largo” do Carmo e Prince”, no Hérman Enciclopédia ]

Written by Cláudio Vieira Alves

22/07/2009 at 09:00

o meu baú de recordações é um tesouro. #03

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[ originalmente publicado no blogue do despertar o sótão como: «rewinders», o evento que volta atrás no tempo. ]

À memória de um tempo que volta atrás — se rebobinado na cassete da alma que é a memória — lançamos o primeiro evento cultural do despertar o sótão: rewinders.

«rewinders», o cartaz de promoção do evento.

«rewinders», o cartaz de promoção do evento.

Apresentando um cartaz diversificado, na noite de Sábado, 18 de Julho propomos nos espaços JUP, e com início pelas 21h30min., aquela que será uma noite da memória, com um outro tanto de memorável.

Senão, vejamos: uma primeira parte que contará com diversas surpresas. A meninice estalará, certamente, entre um delicioso teledisco, alguns anúncios e desenhos animados. O filme é para se (re)ver em conjunto: AEROPLANO!

Por fim: a banda sonora das três últimas décadas a juntar ao bar com bebidas a preço baixo pela noite dentro, dá o mote para toda uma noite de conversa. E se a entrada é gratuita, por que haveria de faltar?

Resumindo:

rewinders

teledisco, anúncios, desenhos animados, AEROPLANO!

bar e música pela madrugada dentro

Sábado, 18 de Julho de 2009, pelas 21h30min.

espaços JUP — Rua Miguel Bombarda, nº 187 — Porto

ENTRADA LIVRE!

[ O nosso sincero agradecimento ao JUP pelo espaço e apoio, e à criar comunicação pelo cartaz de promoção deste evento. ]

Written by Cláudio Vieira Alves

09/07/2009 at 21:04

o meu baú de recordações é um tesouro. #02

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No ano 2000 a BMW lançava – depois de muita pesquisa e desenvolvimento, de acordo com os próprios – a moto-scooter-e-também-carapaça-esquisita-C1. 

O conceito base do qual terão partido foi a redução dos riscos associados à condução de motociclos mas, simultaneamente, mantendo os prazeres que só as motos proporcionam. Assim, esta scooter de baixa cilindrada foi publicitada com a garantia de prescindir do capacete para a sua condução, já que se apresentava apetrechada do cinto de segurança e de uma capota. E a chuva? Bom, quanto à chuva, a BMW – acreditando que a chuva caía de forma perpendicular ao solo – prometia também roupas secas na deslocação casa-trabalho-casa. A cereja no topo do bolo era o rádio, o aquecimento de banco e de punhos e uma bagageira: tudo extras que poderiam ser adquiridos juntamente com esta moto.

Fantástico, para os executivos. Espectacular, para os amantes das duas rodas com necessidade de vestir bem ou com maior medo de experimentar o sabor do asfalto.

Mas, se na realidade a moto foi apenas produzida e comercializada entre 2000 e 2003 o que é que não terá sido bem assim? O que é que poderá explicar, e atenção a isto!, que esta moto tenha sido, provavelmente, o maior falhanço de um modelo dentro dos veículos motorizados de duas rodas?

Os motivos são claros e previsíveis: a estética era de um futurismo discutível, a cilindrada de menos de 200cc limitava a sua utilização para lá das malhas urbanas e – esqueça-se a publicidade – quem acreditaria que a C1 seria de uma segurança ao nível dos veículos enlatados?

E o raio da chuva?, dirá o leitor mais atento. Ora, de facto, reconheço não conhecer a chuva alemã mas, no resto do Mundo, da experiência que tenho, a chuva sofre a influência do vento. E por muito que se tenha uma pequena capota em cima da cabeça, caraças!, é óbvio que um gajo se molha à mesma. Esta gente que inventa coisas nunca andou de guarda-chuva.

Motociclo BMW C1

Motociclo BMW C1

Apesar de todos os defeitos, esta moto diverte-me e sorrio sempre que a vejo na rua. Recordo-me de ouvir falar nela antes de ser lançada e de espreitar presencialmente a primeira, amarela, que encontrei várias vezes estacionada junto ao Capitólio.

Esta moto teria mais carisma se fosse eu a dar-lhe o nome. Chamar-lhe-ia scooter-ninja. Porquê?! Claro, por causa da carapaça e das cores. Sim, das tartarugas.

E, ainda para mais, concordarão: é meio mutante.

Written by Cláudio Vieira Alves

08/05/2009 at 01:00

o meu baú de recordações é um tesouro. #01

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No que diz respeito à Matutano esqueçam-se os Tazos, os Matutolas, as Caveiras Luminosas ou a joalharia (da qual recordo com saudade as argolas coloridas de plástico que algumas jovens, orgulhosamente, exibiam). A verdade – e aceitem-no!, geração mais recente – é que o brinde que catapultou a Matutano e que não será esquecido é o Pega-Monstro.

 

Pega-Monstros, o brinde da Matutano.

Pega-Monstros, o brinde da Matutano.

Ora, já ouvi narrativas de meus contemporâneos afirmando ter atirado isto a folhas de papel, paredes, comida, tecto, vidros, quadros da escola, etc. Eu, na realidade, reconheço e questiono-me: existirá algum sítio onde eu não terei eu colado o raio do pega-monstro? Desde a escola até casa todo eu deixava um rasto da gordura característica que os pega-monstros deixavam. A meio da manhã já contava o tempo para a campainha soar, sabendo que o intervalo iria libertar-me, podendo lavar o pega-monstro. Fiel brinquedo, o Pega-Monstro, que depois de um pouco de água (e com sabonete a fórmula resultava ainda melhor) voltava a colar como se tivesse acabado de sair do pacote de batatas fritas.

Posteriormente, já na minha juventude, a Olá reeditou – oferecendo-os juntamente com os seus gelados de gama infantil: epá, perna de pau, minimilk, etc – os pega-monstros. Porém, permitam-me o trocadilho, a moda não voltou a pegar. A não ser com alguns revivalistas que, já na Faculdade, insistiam em brincar com aquilo. Não, não falo de mim. Sério que não. Foi um amigo meu. Que eu conheço.

Olha, ele vai ali. Pronto, tenho que ir. Juro. Não era eu.

Caraças!

Chatos! Sim, era eu, mas foi só umas vezes. Recorde-se, pois, o anúncio televisivo para ajudar a lembrar, também, a antiga imagem institucional da Matutano.

[Vídeo: Anúncio dos Pega-Monstros da Matutano. ]

Written by Cláudio Vieira Alves

28/04/2009 at 17:51

o meu baú de recordações é um tesouro. #00

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Inicio, hoje, mais uma rubrica que – já há uns tempos – me apetece fazer. E ninguém por aqui, certamente, será contra.

Sou, assumo-o, o homem de memória mais curta à face da Terra desde Adão – famoso por ter esquecido qual era, mesmo, o fruto proibido. Ou seja, nesta linha de raciocínio e a ter em boa conta a história Bíblica serei, precisamente, o segundo homem mais esquecido de sempre.

Serei forçado a concordar convosco: a escolha de uma rubrica assente na minha memória poderá resultar em algo, no mínimo, contraproducente. Porém, é inegável que o meu baú de recordações – por muito que o volume deste se exiba reduzido – seja um tesouro partilhado pela minha geração. E que apetece, cada vez mais, relembrar e narrar.

Para tal, agradeço as contribuições dos que por aqui passam e que o poderão fazer por e-mail e twitter – ligações na barra do lado – ou na caixa de comentários. Façam deste, também, o vosso espaço.

A primeira escolha recai sobre o anúncio da famosa caneta BIC.

Dois produtos: BIC Laranja e BIC Cristal, publicitados com uma originalidade que ultrapassa os 20 segundos do anúncio televisivo. Mais do que a imagem do anúncio, com a sua musicalidade, este tornou-se um dos spots mais cantados dos anos 80 e início dos anos 90.

[ Spot Publicitário BIC ]

Written by Cláudio Vieira Alves

18/04/2009 at 15:30