as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

o muro quebrado como um conto musical.

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É hoje e amanhã (21 e 22 de Março) que o Pavilhão Atlântico, em Lisboa, comemora num concerto orquestrado por Roger Waters, quer os 30 anos decorridos sobre o lançamento do disco “The Wall“, quer o concerto emblemático em que Roger Waters derrubou um pedaço do muro de Berlim, em 1990. É justo que seja pela mão de Waters que o espectáculo nos chega já que “The Wall” respira Roger Waters por todo o lado: desde a concepção de praticamente todas as melodias e letras do disco, passando pelo desenho da capa, e até à criação dos espectáculos. Tanto assim que “The Wall” é o único disco da discografia dos Pink Floyd do qual Waters detém absolutos direitos.

Capa do disco "The Wall", dos Pink Floyd.

Capa do disco "The Wall", dos Pink Floyd.

Felizmente que uns Pink Floyd, em 1979, apesar de financeiramente arruinados, tiveram a coragem de perante o seu enriquecimento criativo construir um disco que narrasse a história de “Pink” — uma criança que a sociedade maltratou e convidou a que construísse um “muro” à sua volta. Felizmente porque dificilmente, no período de concepção e gravação deste álbum, Roger Waters terá equacionado, ou vislumbrado para lá da sua obsessão criativa, as implicações e repercussões que as suas músicas teriam na influência do rock contemporâneo ou, mais ainda, a falta que este disco faria na história da música. Felizmente, também, porque editaram, dessa forma, o disco de rock mais próximo de uma ópera, ou de uma peça de teatro; que hoje, quer em disco, quer como espectáculo, sabemos ser incontornável.

Nestes dois concertos em solo português, que são o arranque da digressão europeia “The Wall Tour”, a reinterpretação daquele que foi essencialmente um concerto cénico, e onde o The Wall foi tocado de uma ponta à outra, vai garantidamente arrebatar — até porque agora, com ainda mais tecnologia, o perfeccionista Roger Waters pode levar a cabo aquilo que sempre pretendeu apresentar: um espectáculo pautada pela excelência.

O disco que nasceu antes de mim (e que descobri, a primeira vez, há 15 anos, no topo da gaveta de discos de um amigo dos meus Pais, enquanto procurava — sim, que a verdade é esta — discos dos The Cranberries) pareceu-me sempre algo a que nunca poderia assistir ao vivo. Enganei-me. Amanhã estarei no Atlântico para confirmar, em dois actos e ao longo de 3 horas, que estar enganado, tenho aprendido, pode ser das coisas mais bonitas nisto de se estar vivo.

[ Vídeo: “Another Brick on the Wall”, por Pink Floyd ]

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Written by Cláudio Vieira Alves

21/03/2011 às 20:14

3 Respostas

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  1. E o filme, de 1982, já viste? É muito louco, e com uma também muito louca interpretação do Bob Geldof.

    Sara

    22/03/2011 at 00:12

    • Não, nunca vi, Sara. Mas vou fazê-lo, obrigado.

      • Para além da banda sonora – que nem é necessário dizer qual é – fizeram um bom trabalho ao animar as imagens presentes no LP: os martelos, os pássaros, o professor que transforma os alunos em carne picada. 🙂 Pessoalmente, acho que o momento da “Goodbye Blue Sky” ficou fantástico.

        Sara

        22/03/2011 at 01:39


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