as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

a minha vida dava um jingle. #16

with one comment

Nunca fui de guardas-chuvas. Até podia ser, mas tenho para mim que: se alguém inventou o walkman, a TV, o micro-ondas, a internet, o foguetão, o iPad, as bonecas insufláveis com conexões 3D, (…), entre tanta tecnologia, bem que se podia inventar mais do que um pau com um pano impermeável em cima.

É  que a chuva é tramada. É um facto. Tanto que, uma vez, o Pedro Abrunhosa conseguiu pôr uma plateia inteira a cantar, num concerto ao ar livre a que assisti e onde chovia a deus dará, “Puta que pariu a chuva!”. Sim, num concerto junto à Praia de Matosinhos, toda a plateia reclamava em uníssono da maternidade da chuva. E com a sua razão.

Sei lá!, parece-me que se inventassem uma coisa que me guardasse da chuva e que envolvesse alguma tecnologia, já era capaz de me convencer a nunca o esquecer em algum lado. No que toca ao guarda-chuva convencional, não é bem assim. Engano-me a mim mesmo: milhentas foram as vezes em que prometi a mim mesmo, antes de pôr o pé na rua, que ia estar um dia de céu limpo e em que, previsivelmente, apanhei uma molha de todo o tamanho. Mas, também, usar o guarda-chuva para quê? Que diabo!, a chuva em 99% das situações não cai perpendicular ao solo — ou seja, o guarda-chuva convencional acaba por guardar pouco mais que a cabeça.

Para além de todos os factores logísticos que a chuva acarreta, há uma relação directa, ainda que pouco assumida, da chuva com a vontade de se sair de casa. Gostava de ser daqueles que diz que a chuva não faz qualquer diferença. Que não me desmotiva a sair de casa. Mas, não. Ainda que, na maioria dos casos, a chuva per si não me amarre a um sofá o facto é que, também, não me convence facilmente a ir saltar à corda para a rua.

E tudo isto para concluir somente que, no que toca à chuva, sou dos que aprecia ficar a ouvir a chuva. Sem guarda-chuvas e sem ter que me molhar. No meu caso, acho graça ao som da chuva a bater no telhado das águas-furtadas misturada com o som e a música do rádio-despertador junto à cama. Sou desses. E dos que pensam coisas absurdas como: será que a chuva me ouvirá, também?

[ “Chuva”, por Ornatos Violeta ]

Anúncios

Written by Cláudio Vieira Alves

16/02/2011 às 09:02

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.

  1. Também gosto de ouvir a chuva; gosto da barreira que se cria: ela está lá, mas não passa para este lado.
    Aliado ao som da música, também me agrada o som da chaleira lá na cozinha a chamar por mim; “o chá está pronto”.

    Sara

    16/02/2011 at 22:11


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s