as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

ninguém liga se a fossa é nova, ou usada, desde que saiba ao mesmo.

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Belle Chase Hotel. Ao vivo. Amanhã (12 de Fevereiro). Teatro Municipal de Vila do Conde. 10 euros.

Sim, é isto: 6 anos depois do último concerto a que assisti deles no Festival Subscuta 2005, em Barcelos, para uma plateia reduzida e que acabou abruptamente com um corte de energia, vamos todos poder voltar a ver aqueles que são, para mim, os Divine Comedy portugueses. Uma banda que, como tantas na história da música, apareceu no ano errado e com uma estética e musicalidade que o público não estava, ainda, disponível para ouvir. Era o ano dos Silence 4. Hoje, teria sido diferente.

Os Belle Chase Hotel nasceram em 1995, em Coimbra, 3 anos antes da edição do seu primeiro disco — ainda pela NorteSul — “Fossanova”. Um álbum fresco, intemporal, imaginativo e onde a criatividade não se secou. De tal forma a criatividade transbordava que, em 2000, acabaram por lançar o seu segundo e último longa-duração “La Toilette des Étoiles” com produção do Joe Gore (sim, o mesmo Joe Gore da PJ Harvey e do Tom Waits). Com um punhado de canções assentes numa abordagem alternativa às letras e aos instrumentos, ao próprio género musical do pop-rock, contudo de fraca recepção junto do grande público, os Belle Chase Hotel acabaram por encerrar o seu percurso. Pelo meio ainda gravaram bandas sonoras para curtas-metragens reforçando que a sua música dava a mão a muita da estética cinematográfica.

Na ressaca do grupo, deram origem a outros projectos (como Quinteto Tati, JP Simões a solo, Wraygunn, etc) onde, apesar de serem projectos igualmente interessantes e valiosos, nunca mais se ouviu a sonoridade boémia de cabaret, os blues eróticos e/ou a estética única deste grupo. Era toda um conteúdo consistente com a forma que tinham erguido num pacote a que chamaram Belle Chase Hotel e que, naquele modo e com eles, fazia todo o sentido. Fiquei eu, e tantos outros, órfãos daquela música.

Com Antoine Pimentel (Bateria), Filipa (Violino), João Baptista (Baixo), JP Simões (Voz), Luís Pedro (Piano, Bandolim, Acordeon), Marco (Saxofone), Pedro Renato (Guitarras), Raquel Ralha (Voz) e Sérgio Costa (Guitarra e Flauta Transversal) — a formação original com 9 elementos (quantas bandas de pop-rock conseguem isto de fazer música com tanta gente?) — os Belle Chase Hotel reerguem-se,  alguns anos depois, movidos pela saudade, e depois de um concerto-experiência em Coimbra decidem fazer uma mini-digressão para espalhar boa música pelo país fora.

Hoje, tudo é tão diferente que as salas de espectáculo esgotam para os ouvir e, diz quem os tem visto, que ouvir cantar que há um novo McDonald’s em Sunset Boulevard continua hoje a ter o mesmo sabor de antes. E tudo isto são boas notícias.

[ Vídeo: “Fossanova”, por Belle Chase Hotel ]

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Written by Cláudio Vieira Alves

11/02/2011 às 15:52

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