as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

de cem soldos não sopram ventos, mas casam-se bons sons.

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A partir de amanhã, 20 de Agosto, e até ao final do dia 22 de Agosto, a aldeia de Cem Soldos, perto de Tomar, revira-se em aldeia-festival para a segunda edição do Festival Bons Sons.

Cartaz do Festival Bons Sons 2010

Cartaz do Festival Bons Sons 2010

Ao longo do fim-de-semana, e pelos diversos espaços preparados por esta aldeia, (en)cantam alguns nomes da música portuguesa. O nome pesado é — espantem-se os que lhe seguem a carreira! — Fausto Bordalo Dias. Com reduzidas aparições públicas e, ainda mais, raríssimos espectáculos inseridos em Festivais, é este o compositor presente que mais me motiva a arrancar para Cem Soldos. Mas, este Festival não se fica por um só nome como cabeça de cartaz e traz a palco outras raridades e experiências sonoras como a voz marcante de Lula Pena e a guitarra talentosa de Norberto Lobo.

Nos novos trilhos da música tradicional portuguesa escutar-se-à, ainda, os contagiantes acordes de Diabo na Cruz e o humor e ironia das letras pouco luso-baladeiras, mas muito inspiradas, de B Fachada. (No espaço do último mês assisti a dois espectáculos onde Fachada, a par de apresentar o novo “Há Festa na Moradia”, passou por temas inéditos com a mesma frescura com que voltou aos seus anteriores 3 discos. Concertos dignos, quer acompanhado por contrabaixo e bateria quer a solo, e sempre de se lhe tirar o chapéu.

[ Vídeo: “Os discos de Sérgio Godinho”, por B Fachada e Sérgio Godinho ]

Com Dazkarieh e Danças Ocultas os argumentos somam-se. Tanto que, a dada altura, a exibição do documentário “SIGNIFICADO — A música portuguesa se gostasse dela própria” é só mais um importante motivo para assistir a este festival. É, a par dos cartazes da Festa do Avante! (honra lhe seja feita, desde sempre celebrando, simultaneamente, os nomes novos e os mais antigos da música portuguesa), um festival de música nacional por excelência. E é um desfile musical de tal tamanho que dá vontade de cochichar: “caraças!, não é isto — finalmente! — a música portuguesa a gostar de si própria?”.

[ Vídeo: “SIGNIFICADO — a música portuguesa se gostassse dela própria”, o trailer ]

O passe para os 3 dias custa 10 euros (inclui campismo gratuito) e está à venda nos sítios do costume.

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2 Respostas

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  1. Dois excelentes cartazes, sim senhor. Vemo-nos por lá!

    Não conhecia essa colaboração BFachada-SGodinho…

    Ouvi BFachada pela primeira vez em finais de 2008, caído de paraquedas num festival de danças tradicionais europeias – foi um encontro um pouco estranho, espicaçado… Já em 2009, voltei a vê-lo, já bem contextualizado, em versão de concerto mais intimista ao piano – foi mais pacífico. Há ainda as colaborações com Tiago Pereira, também ele um pouco “incendiário”… Entretanto, já passa esporadicamente na rádio… A ver o que realmente traz o trabalho deste senhor. Até ver, portas abertas pela curiosidade.

    cristina

    20/08/2010 at 01:41

    • Viva, Cristina,

      Obrigado pelo comentário.

      Sim, a Central Musical e a Nokia — naquelas coisas de “momentos improváveis” — juntaram B Fachada e Sérgio Godinho no Marquês de Pombal, há cerca de um mês, para 5 músicas. Entre outras, Fachada homenageou SG com uma versão (bem) sua de “Etelvina”e cantaram, ainda, do novo disco de Fachada “Os discos de Sérgio Godinho” (no youtube encontras isso).

      Sim, Tiago e Fachada, parece-me, partilham de uma visão de tradição dinâmica e vão, um pouco, contra a cultura-da-tradição-em-ambiente-andanças. Ora, em determinados contextos e perante esses meios, poderão tornar-se mais, como dizes, “incendiários”. 🙂

      No entanto, como balanço final, aposto que Fachada será um grande escritor de canções da nossa geração e vale a pena assistir a esse percurso de perto. Já há muito tempo que não havia canções frescas e novas a tocarem-me tanto. Até porque depois do PREC (sim, acho que foi preciso todo este tempo) fomos parcos em escritores de canções que se afastassem do plano das relações amorosas.
      Quanto ao Tiago Pereira: eu gostei muito do documentário SIGNIFICADO e recomendo-te a sua visualização. (Ainda, e encontras um excerto na net, espreita o documentário “B Fachada – Tradição oral contemporânea” que, parece-me, gostarás também de ver.)

      Vemo-nos em Cem Soldos. Até lá. 🙂


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