as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

engate for dummies.*

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Na mesa ao lado um homem, trajando protocolarmente a farda executiva — clássico fato azul marinho e gravata às riscas —, olhava a mulher que ao fundo do café possuía um decote pronunciado e que parecia, mesmo ao longe, sobrepôr-se à blusa vermelha. Olhava-a tão fixamente e de frente quanto eu, ainda mais absorvidamente, o espiava pelo rabo do olho. Deviam ter, praticamente, a mesma idade. Ele tão seguro de si quanto bonita ela era.

Aquela mulher deve ter-se fartado daquilo (só pode ter sido isso) e, nesse cansaço, encontrou forças para equiparar a sua beleza à sua presunção. Levantou-se e percorreu todo o café para lhe perguntar:

— Olhe, desculpe lá!, não se importa de parar de olhar para mim. Por acaso nunca viu uma mulher?!

Ele, a despeito de tudo que nos é ensinado a nós, homens, a nunca pensar (quanto mais sequer em dizer?), respondeu:

— Assim tão feia e mal feita? Por acaso, não.

* ou uma tentativa de aplicar a velha fórmula “quanto mais me bates mais gosto de ti” . Não funcionou. História verdadeira, esta.

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Written by Cláudio Vieira Alves

06/05/2010 às 07:37

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