as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

a qualquer-coisa-comédia que resulta.

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Woody Allen estava, há tempo demais, sem fazer uma boa comédia como esta. “Whatever Works“. Quando escolhi vê-lo, no pequeno ecrã de 13 polegadas do meu portátil, parecia-me que este filme nunca chegaria a estrear cá. Mas — é certo que com um grande atraso — cá está. Em Portugal, a somar ao atraso na estreia do filme, o poster escolhido para divulgação do filme foi outro. Engana. Adapta o título original do filme, e imagem do poster original, para o aproximar à imagem das comédias românticas. E, por mim, se isso ajudar à divulgação, nada contra.

Poster original do filme: "Whatever Works"

Poster original do filme: "Whatever Works"

A experiência, no cinema, é outra e a sensação de que Boris (Larry David) interage com o espectador é, neste caso, efectiva. Este filme não tem Woody Allen. Ou, de outra forma, tem um Allen mais cínico, mais desagradável, mais cáustico, mais expressivo na voz e religiosamente, de todo, mais violento e sarcástico. Um Woody Allen menos neurótico, menos nervoso, menos expressivo nos gestos e bem menos atabalhoado. Tem, portanto, Larry David. O mesmo Larry David que, ao representar-se a si mesmo, na sua série “Curb Your Enthusiasm”, nos deixa, constantemente, desconfortáveis e com a sensação mas-isso-só-pode-correr-mal. Porém, em “Whatever Works”, Larry David é um Boris que, ao longo do filme, acaba por conquistar o espectador. Com ternura, até. E, para mim, ver a representação deste papel entregue a Larry David foi uma boa surpresa.

O argumento transpira Woody Allen? Decerto que sim. Mas, e como nem sempre aconteceu na última década nas comédias de Allen, resulta. E resulta muito bem. A matéria prima para que resulte reside, primeiro, no argumento.

Depois: Woody Allen, é um facto, filma Nova Iorque de uma forma que até o mais profundo terrorista anti-ocidental se consegue apaixonar por essa cidade. A cor é outra; as pessoas parecem mais reais. Se a imagem a Technicolor tivesse de ter uma definição visual, eu teria de apontar um pedaço de uma fita de Allen. A imagem, a banda sonora, o ritmo com que as cenas se sucedem e o enquadramento com que os monólogos versus diálogos são fimados dizem muito ao caso. Este é o segundo pilar que contribui para que o filme funcione: a realização.

Este é um filme coerente com a sua obra e, ao mesmo tempo, um filme que é novo na sua forma, conteúdo. Já o disse: resulta bem. E, apesar de toda a reflexão existencial — que é comum aos seus principais filmes —, a verdade é que (contrariamente ao que nos é avisado) este é o filme que dispõe bem. Para já, e para mim, do ano.

[ Trailer: “Whatever Works”, um filme realizado e escrito por Woody Allen ]

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Written by Cláudio Vieira Alves

07/02/2010 às 16:42

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