as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

já não há comboios do amor, como havia antigamente.

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No comboio, o homem — com um ar recém-divorciado — procura, timidamente, coragem.
Sendo que estão na mesma carruagem e colocados no mesmo par de bancos é impelido a apreciá-la. Ela, a executiva que devia ter sido uma professora ríspida — se tivesse escolhido essa carreira —, mantém os olhos escondidos na Visão.

O homem, mais o seu cabelo grisalho, ajeita a gravata vermelha e arrisca atirar-lhe um protocolar “Bom dia. Como está?”. Para ouvir devolvido: “Não acredita, certamente, nessa coisa do destino nos ter unido e que teremos sucesso juntos, pois não?! Claro que não, já não tem idade para isso.”

O homem coloca os auscultadores e, até ao seu destino, opta por ver, sem sequer desviar os olhos, o “Só Visto!” no circuito interno de televisão.

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Written by Cláudio Vieira Alves

13/07/2009 às 08:41

2 Respostas

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  1. isso é mto ruim

    duda

    13/08/2009 at 13:04


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