as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

assim é fácil demais.

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Entrevista a José Sócrates, na RTP.

Entrevista a José Sócrates, na RTP.

A entrevista ao Primeiro-Ministro José Sócrates, conduzida por Judite de Sousa e José Alberto Carvalho, foi fácil. Desiludiu na sua condução e soube a pouco.

José Sócrates, um peixe ágil dentro de água no que à comunicação diz respeito, no seu modo contundentemente agressivo, mas perspicaz, geriu o tempo e as perguntas de um modo assinalável. Uma preparação que até assusta de tão fluída que é.

Retire-se toda a mediatização do que, provavelmente, amanhã surgirá na imprensa escrita como manchete: “divergências institucionais” com Presidente da República; Freeport e o desabafo relativo à TVI . Se, com atenção, se observar as respostas políticas relativas aos investimentos públicos, Sócrates explicou, com facilidade mas menos profundidade do que gostaria (indicar a consulta de sites, perante perguntas directas, soou-me deselegante), aquilo que já o ouvimos no Parlamento enumerar: são estas as suas medidas anti-crise e a estratégia eleitoral que tem liderado. Enumerou-as, repetindo, a sua visão de custo vs. benefício, seus horizontes de modernização e combate do desemprego. Mais do mesmo sem surpreender, portanto. E nada de novo.

Apesar de esta ser uma entrevista em pleno ano de eleições e perante uma verdadeira recessão – cujos contornos e implicações imprevisíveis, na realidade, ainda se desconhecem – os entrevistadores fizeram dela uma entrevista morna de meio de mandato, permitindo a Sócrates pintar-se a si mesmo da forma que mais lhe convém. Explorou-se numa hora, repetidamente, os assuntos do costume e para os quais uma entrevista pouco acrescentou. A opinião, generalizada na imprensa, no rescaldo desta entrevista segue o mesmo rumo e aborda, apenas, o que vende proporcionalmente ao que cansa.

Sem uma comunicação social preparada, organizada ou capaz, bem como com o maior partido de oposição política mergulhado numa crise de identidade e liderança, o conflito de ideias corre o risco de ser varrido para fora da agenda política.

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Written by Cláudio Vieira Alves

22/04/2009 às 05:37

2 Respostas

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  1. 🙂

    Ainda está por surgir alguém que ganhe algum ascendente sobre o Sócrates.

    Os entrevistadores são muito fracos! O José Alberto Carvalho tem sempre muitas dificuldades quando tem de fazer algo mais que ler o teleponto. A Judite de Sousa parecia, a certo ponto, amuada… O que não deixa de ser preocupante, tendo em conta que se espera alguma objectividade da parte do jornalista. Enfim! Nos outros canais não é muito melhor…

    Pedro Potter

    25/04/2009 at 17:09


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