as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

a geração do desemprego e do “isto está muito mau!”.

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Entre conversas, diariamente, sinto e meço a preocupação de amigos e de colegas. O tema de conversa entre recém-licenciados é hoje, mais do que nunca na última década, o emprego.

Efectivamente, estamos perante um mercado saturado de estágios não-remunerados e de jovens que os aceitam. É, ainda, um mercado preenchido por empregadores subversivos que sabem, lindamente, como reduzir os custos directos com mão-de-obra recorrendo a uma rotatividade de quem – e aparece sempre alguém assim! – aceita pagar para trabalhar. Por outro lado, os postos de trabalho parecem todos ser ocupados por funcionários descartáveis e com um sistema de (des)compensação financeira que os malvados e cegos recibos verdes permitem.

Uma geração, provavelmente, que quando “arranja” um emprego, está já cansada de o ter procurado e que exausta e desmotivada aceita, sem discutir, as condições impostas – e que poucos arriscam negociar já que, para a negociação, necessitariam de ter algo a apresentar para lá da inexperiência ou de ausência de curriculum profissional.

“Arranja-me um emprego” – que pertence ao meu álbum favorito: “Campo Lide” – de Sérgio Godinho, apesar dos seus 30 anos de idade, continua com uma actualidade esmagadora a retratar esta geração queixosa de procurar emprego e que até vai, com toda a razão, para a rua queimar recibos verdes.

Mas, note-se que esta é a mesma geração que as Faculdades, sabendo de antemão que o caudal de saída de licenciados supera largamente os postos de trabalho actuais, nunca prepararam para trabalhar.

Há também muita culpa dos estudantes – estes nunca se preocuparam em buscar outras actividades e confiaram a sua formação a Faculdades e Escolas. Ora, do Ensino Superior Português sempre se soube que apresenta metodologias de ensino distante e despreocupado de uma formação de mentalidades e de postura para ambientes profissionais. A preocupação do Ensino é hoje, como sempre foi no passado, apenas uma rápida aquisição de conhecimento e, na maioria das situações, pouco prático.

Porém, esta seria a mesma geração que, com todo o peso triste da inevitabilidade, nos sapatos dos actuais empregadores e nas mesmas condições: fariam a mesmíssima coisa ou pior do que aquilo que criticam. E isto confirma que, perante a inexistência de uma regulação eficaz, há uma escalada de capitalismo motivada, essencialmente, pelas pessoas que constituem o mercado (de ambos os lados) e não por culpa da estrutura do mercado.

Fica o vídeo de “Arranja-me um emprego”, filmado no espectáculo “Nove e Meia no Maria Matos”, em Maio de 2007. Esta música, repito e sublinho: originalmente editada em 1979, contém a ironia e deveria, em prol da honestidade, ser cantada pelos candidatos nas actuais entrevistas de emprego.

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Written by Cláudio Vieira Alves

25/03/2009 às 01:01

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