as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

a noite em que o porto quis ser budapeste.

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Adolfo Luxúria Canibal, foto de Joana Saramago

Adolfo Luxúria Canibal, foto de Joana Saramago.

Adolfo Luxúria Canibal indica, a dado momento do concerto que decorreu a 6 de Março no Teatro Sá da Bandeira, que o Porto, ao contrário de Budapeste, não tem edifícios abandonados com caves de onde sai rock’n’roll. 

Fita o público, acalma os humores de um concerto dos Smix Smox Smux que nem chegou a aquecer o ambiente, e juntamente com os restantes elementos da banda participa na tarefa de vestir, cuidadosamente, os presentes de um ambiente pesaroso.

Desfilam temas num género de sussuro à alma dos presentes, e depois das narrativas ímpares, iniciam um processo de crescendo. De volume. De luz. E, claro, de música. Um concerto orquestrado como uma grande, apenas uma só, música de rock. Intensa e explosiva – num género de arrepio que faz transpirar.

Em abono da verdade, no “primeiro acto” do concerto, os 6 elementos não se preparam para o rock – na realidade, preparam é o auditório presente ao Sá da Bandeira. Envolvem as hostes, sem nunca pedirem o seu envolvimento e, a pouco e pouco, tudo berra numa excelente afinação. As guitarras começam a abraçar uma secção rítmica de bateria e de baixo – que se apresenta certeira. A banda é hoje, mais que nunca, uma máquina oleada e na melhor forma musical.

Joana Longobardi, foto de Joana Saramago

Joana Longobardi, foto de Joana Saramago.

Mais que uma noite de celebração pelos 25 anos dos Mão Morta, estes foram os festejos de um rock, urgentemente, grave. Neste rock, tudo vale: visita a defuntos, anarquistas, cadáveres escondidos em caves, jogos de xadrez de onde tiraram as pretas, directos para televisões, anjos, capitais europeias; poesia, envolta em cinzas numa encenação e expressividade, merecedora de uma cidade entusiasmada e sedenta de os ver.

Mão Morta, no Teatro Sá da Bandeira. Foto de Joana Saramago.

Mão Morta, no Teatro Sá da Bandeira. Foto de Joana Saramago.

 Uma noite em que o Porto pareceu também pertencer ao genial álbum “Mutantes S.21”. Adaptando o nome do simbólico álbum de 1998 e que hoje faz outra vez tanto sentido: há já muito tempo que nesta latrina este concerto dos Mão Morta fazia falta.

Capa do Álbum "Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável"

Capa do Álbum "Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável"

Recomendo aos que tiverem oportunidade, a assistência a um dos concertos da restante digressão:

14 de Março – Portalegre, Centro de Artes do Espectáculo (21h30min.)

21 de Março – Torres Vedras, Teatro-Cine (22h)

27 de Março – Guimarães, Teatro São Mamede (22h)

28 de Março – Alcochete, Fórum Cultural (22h)

1 de Abril – Lisboa, Cinema S. Jorge (21h30min.)

3 de Abril – Abrantes, Cine-Teatro São Pedro (22h)

18 de Abril – Braga, Auditório do Parque de Exposições (22h)

Depois de um arranque da digressão, a 21 de Novembro de 2008, numa sala esgotada em Barcelos, e deste concerto no Teatro Sá da Bandeira fiquei convencido, e ansioso, por assistir ao fim da digressão “Ventos Animais” na cidade natal dos Mão Morta, Braga, onde estarei a 18 de Abril.

:: nota: Obrigado à Joana Saramago por me deixar utilizar algumas das suas fotos ::

 

 

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Written by Cláudio Vieira Alves

08/03/2009 às 20:25

Uma resposta

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  1. […] fim da segunda noite, ao rever Mão Morta, promete. Recorde-se que os Mão Morta se encontram, na minha opinião, na melhor forma de sempre e que, previsivelmente, se ocuparão de celebrar, mais uma vez, o seu […]


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