as horas extraordinárias

«bem fiz em ter por necessárias as horas extraordinárias.», sérgio godinho

nova música portuguesa. ou, cristo tinha cabelos compridos por gostar de grunge?

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Há já muito tempo – “que nesta latrina o ar se tornou irrespirável”, diriam os Mão Morta – o mercado da música portuguesa se fechou em si mesmo. Os mesmos músicos rodando todas as bandas numa espécie de promiscuidade criativa. Apenas o jazz foi escapando a essa rotina e manteve alguma espontaneidade.

Ora, qualquer coisa de refrescante, para os que consomem música cantada e tocada em Português, ocorreu com entrada em cena de algumas bandas que, felizmente, se tornaram um fenómeno. Sendo verdade que Deolinda, peixe:avião, Mundo Cão, etc, reúnem características que permitem que estes não conheçam os habituais tratamentos descartáveis e cíclicos do pequeno mundo discográfico português, como se explica, porém, o pequeno culto desenhado à volta de Tiago Guillul, Os Pontos Negros, Os Golpes e tantos outros?

Pois bem, neste segundo grupo o denominador comum traduz-se em evangelização, associativismo religioso, clubismo, crença num mesmo Deus – caramba!, tanta adjectivação para algo tão simplesmente traduzido no português corrente como fé. Mas sempre existiu?! Decerto que sim. A novidade está na sua união, através da editora Flor Caveira ou promotora Amor Fúria, que os transporta para o mercado onde todos os outros, hereges, se encontram. “Os Pontos Negros” não estarão muito longe da qualidade dos antigos “A Institituição” (banda dos anos 90 de Tiago “Guillul” Cavaco) mas a sua promoção e suporte é hoje diferente daquela que, anteriormente, estava limitada a uma pequena comunidade baptista. É colectiva. Assente. Sólida. E, pelo que se vê, tudo isto funciona.

Em suma, o que move estas novas bandas de rock cristão é desconcertante na filosofia comercial da indústria da música. É imperceptível ao radar de negócios. Na realidade o que os move(u), fundamentalmente, é uma necessidade de levar a mensagem. E o desígnio, a emergência de cumprir os sonhos, é imbatível. Mas pelos vistos, se for feito colectivamente permite ocupar uma posição e ganhar um nome. É possível vender discos, então, num mercado que afirmam estar saturado pela pirataria do mp3? Aparentemente é.

Do alto do meu ateísmo aplaudo tudo isto. E acredito que é uma lição para promotoras e editoras. Se não o é, devia.

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Written by Cláudio Vieira Alves

19/02/2009 às 00:57

Publicado em música, textos soltos

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